Rio, 23 (AE) - O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Francisco Gros, afirmou hoje ser favorável a fortalecer o mercado de capitais brasileiro para dar às empresas nacionais condições de competir em uma economia aberta. Gros rejeitou o protecionismo. "O mundo está se tornando cada vez mais aberto e é importante saber que soluções que foram válidas nas décadas de 70 e 80 não valem mais", afirmou, em entrevista coletiva em seu apartamento no condomínio Parque Guinle, em Laranjeiras, na zona sul.
A política de desestatização é uma maneira de fortalecer o mercado de capitais, na avaliação de Gros. "Cada vez mais, o processo de privatização tem de ser coordenado com ênfase no desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil", afirmou. Outras medidas necessárias citadas por ele foram a maior pulverização de ações das empresas brasileiras e o aumento de sua transparência.
Ele reconheceu que o programa de privatização, atualmente, perdeu rapidez por causa das discussões que ainda não foram resolvidas sobre o saneamento e geração de energia elétrica, áreas previstas para passar para a iniciativa privada. Mas para Gros, isso é uma consequência natural. "Em um processo de privatização, primeiro você vende o que é mais fácil", afirmou.
O sucessor de Andrea Calabi ressalvou que o fortalecimento das empresas brasileiras é uma decisão que cabe a elas próprias. "Não cabe ao governo ou ao BNDES tomar qualquer decisão", avisou. Mas, alertou, se as empresas não se fortalecerem, o processo de desnacionalização da economia brasileira será "inexorável".
O novo presidente do BNDES afirmou que sua entrada não representa nenhuma mudança "fundamental" na política de atuação do banco. "Todos os programas em andamento serão mantidos", afirmou. Ao ser perguntado se o banco manteria a união com o grupo Ultra, por meio de sua empresa de participações, o BNDESpar, para a compra da Copene, na Bahia, Gros disse apenas que não podia comentar "casos específicos".
Consulta - Gros contou que foi convidado por Tápias para assumir o BNDES há 10 dias, e aceitou o cargo. "Há poucos dias, ele me telefonou de novo, e disse que estava disposto a aceitar", relatou. Ele desembarcou às 10h30 de hoje no Aeroporto Internacional Galeão Tom Jobim, vindo de Nova York de um vôo da Continental, e passou o dia no seu apartamento, com a mulher, Isabel, e a filha, Alexandra.
Gros declarou que aceitou o convite pela "vontade de contribuir", como nas outras vezes em que deixou a iniciativa privada para trabalhar no governo, seja no BNDES ou no Banco Central (BC). Nos próximos dias, ele pretende conversar com a equipe dirigente do banco - que vai ser mantida no cargo, afirmou. Com a nomeação, ele teve de cancelar duas viagens que faria para o Exterior.

mockup