Grito é alerta também para a oposição, diz CNBB
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Ricardo Osman 
São Paulo, 03 (AE) - Integrantes das entidades que organizam o 5.º Grito dos Excluídos têm discursos diferentes sobre o significado dos atos programados para o Dia da Independência, na terça-feira. Enquanto membros do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) definem as manifestações como um basta "ao modelo econômico do governo", d. Jacyr Francisco Braido, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acha que o Grito servirá também como alerta à oposição, para a necessidade de apontar alternativas concretas ao atual modelo.
"O Grito é um alerta ao governo e à própria oposição, que deve apresentar alternativas para isso (os problemas econômicos, como o desemprego), já que aspira chegar ao poder", declarou o religioso, hoje, em São Paulo. "Criticar por criticar é errado", acrescentou.
Na opinião de d. Jacyr, os atos previstos no Grito, em 2 mil cidades, "são contra um tipo de organização da sociedade, na qual o governo está representado". "Dizer que são contra o governo é pouco", observou. Por isso, ele evita falar em contestação direta ao presidente da República e sim na necessidade de "criação" de uma nova sociedade.
"É preciso submeter a política e a economia à ética e não ao mercado", defendeu d. Jacyr. "As pessoas devem ser o centro (dos interesses) e não o lucro". Ele lembrou a conhecida frase do papa João Paulo II: "Vamos fazer a globalização da solidariedade."
Já o secretário-geral da CUT, João Antônio Felício, que hoje concedeu entrevista ao lado de d. Jacyr, tem outra opinião: "Ou o governo muda ou a sociedade vai ser obrigada a mudar o governo", declarou Felício, que vê nos atos programados para todo o País mais um protesto contra a política econômica. "Não podemos permitir que este governo continue entregando nossas estatais", afirmou o dirigente nacional do MST, Gilberto Portes de Oliveira.
Para ele, o presidente Fernando Henrique Cardoso tem de mudar os rumos da economia, uma vez que "o atual modelo econômico não dá espaço para os pobres."
Uma carta, assinada por todas as entidades que vão participar do Grito, será divulgada na terça-feira. O documento lista dez reivindicações, da revisão do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) à reforma agrária. A CNBB assina o documento, mas, ressalta, apenas "no que se refere ao seu conteúdo ético."
Pães - Em Aparecida (SP), ocorrerá a principal manifestação do Estado de São Paulo. São esperadas cerca de 80 mil pessoas. D. Jacyr antecipou que 4 mil pães serão distribuídos no fim da manhã de terça-feira, depois da missa na Basílica, para ressaltar a necessidade de "distribuição da renda" no País. Na capital, haverá atos do Grito na Praça da Sé, para onde seguem quatro marchas de regiões da Grande São Paulo.


