Agência Estado
De Brasília
O primeiro Grito dos Excluídos da América Latina reunirá, amanhã, 12 países na luta contra o desemprego, pelo fim da segregação social e dos efeitos negativos do endividamento externo das Nações. No Brasil, a manifestação ocorrerá em Brasília, onde integrantes da Pastoral Social da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de sindicatos vão realizar ato simbólico em frente às embaixadas da Colômbia, Indonésia e dos Estados Unidos.
Bispo de Jales (SP) e presidente da Cáritas do Brasil, dom Luiz Demétrio Valentini explicou que integrarão o Grito dos Excluídos o Chile, Argentina, Equador, Peru, Paraguai, Bolívia, Honduras e Nicarágua, entre outros. O tema é a união pelo trabalho, justiça e vida. ‘‘Em cada um dos países, será definido um lugar simbólico para a manifestação’’, disse dom Valentini. ‘‘Serão iniciativas pequenas, que não se medem pelo tamanho, mas pelas causas defendidas’’, afirmou o bispo de Jales.
Segundo dom Valentini, os atos vão lembrar a considerada face amarga da globalização. ‘‘É o desemprego, o atropelamento de valores humanos, da cordialidade’’, citou. ‘‘O fato de os países unirem-se é importante, porque mostra uma preocupação conjunta com o lado negro da globalização’’, afirmou o religioso. Além disso, os manifestantes pretendem questionar o endividamento externo. ‘‘Não pode haver uma transferência tão violenta de capital financeiro dos países pobres para os mais ricos’’, defendeu o presidente da Cáritas. ‘‘Isso está asfixiando as populações.’’
Uma das reivindicações é justamente a da revisão da dívida e da atuação do sistema financeiro internacional. ‘‘Não se pode aceitar uma economia que não dê oportunidade de emprego’’, afirmou dom Valentini. Um grupo de integrantes do MST, que na semana passada esteve em Brasília para uma manifestação e realização de assembléias e debates, permaneceu na cidade para participar do Grito do Excluídos.

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