Grito dos Excluídos questiona governo Lula
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de setembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba-Curitiba antecipou as atividades da 10 edição do Grito dos Excluídos que acontece hoje em todo país. Ontem à tarde, no Centro da Capital, manifestantes questionaram a política do governo Lula, que vem dando ênfase à política econômica sem o amparo de políticas públicas voltadas para a questão social. Para as pastorais sociais da Arquidiocese de Curitiba, o povo precisa se mobilizar para fazer acontecer as mudanças que o Brasil precisa e não ficar esperando pelos governos.
O ato público promovido por grupos de excluídos de Curitiba e Região Metropolitana teve como lema ''Mudança pra valer, o povo faz acontecer''. O protesto foi precedido de uma feira de produtos confeccionados por desempregados das periferias de Curitiba, que trocaram os produtos com uma moeda denominada pinhão, válida apenas dentro da feira.
Junto com o Grito dos Excluídos foi lançada em todos os Estados a campanha ''Liberdade Brasil'', pelo controle do capital financeiro. A campanha pede a taxação do capital estrangeiro no País, para que seja controlada tanto a entrada quanto a saída desses recursos.
De acordo com Jelson de Oliveira, coordenador executivo da Pastoral Social, a campanha quer conscientizar a população dos problemas decorrentes dos malefícios do capital estrangeiro no País, que não dá espaço para uma economia solidária.
''O que existe hoje é uma decepção e essa situação precisa ganhar fôlego junto à essa sociedade'', afirmou. Para isso, os movimentos sociais pretendem organizar a população de excluídos e mostrar que também dependem de políticas públicas para serem incluídos como cidadãos.
O coordenador da Pastoral afirma: ''Chegou o momento de o povo questionar o atual governo que está mantendo uma política de continuidade do governo Fernando Henrique Cardoso, que não está fazendo ninguém feliz.''
De acordo com o bispo auxiliar de Curitiba, dom Ladislau Biernaski, as questões que mais preocupam são o desemprego e a falta de moradia digna. Segundo ele, o governo vem trabalhando bem a questão econômica, mas se esqueceu das políticas públicas de amparo aos excluídos.
Dom Ladislau criticou ainda o Fome Zero, salientando que o programa só está bem-sucedido em locais cujo comitê vem sendo bem-gerenciado. ''Mas infelizmente nem todos os locais contam com bom gerenciamento'', disse.
O bispo destaca que confia no poder de influência do Grito dos Excluídos junto ao governo. Segundo ele, esse fórum foi o primeiro a colocar a questão da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) em discussão há 10 anos. ''Foi por causa desse movimento que o governo atual está protelando uma definição sobre a Alca na tentativa de evitar a submissão do País'', disse.


