São Paulo, 01 (AE) - A coordenação do 5.º Grito dos Excluídos espera promover terça-feira (07) manifestações contra o desemprego em mais de 1,2 mil municípios do País. O símbolo do movimento este ano é a carteira de trabalho e o lema inclui uma frase do hino nacional: "Brasil, um filho teu não foge a luta". Os protestos ocorrerão paralelamente aos desfiles oficiais do Dia da Independência e, em algumas capitais, como em Recife, os organizadores planejam que os manifestantes tomem as ruas logo após a passagem das paradas militares, para denunciar a desigualdade e a exclusão social.
Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pastorais de migrantes, da terra e operárias, Central de Movimentos Populares (CMP), Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras entidades esperam mobilizar, de forma descentralizada, cerca de um milhão de pessoas - mais de 40 mil delas em Aparecida (SP), segundo um dos coordenadores do Grito dos Excluídos, o padre Luiz Bassegio. De acordo com ele, foi esse o público registrado no ano passado nas manifestações em cerca de 1,1 mil municípios.
Na cidade de São Paulo, o Museu do Ipiranga foi escolhido como local da concentração de fiéis católicos e militantes das demais entidades.
Haverá distribuição de pães aos participantes, simbolizando "o anseio pela divisão de riquezas, e não pela concentração", segundo o padre. Duas marchas devem sair sábado da Grande São Paulo com destino a Aparecida: de São Caetano do Sul e de Vila Brasilândia, reunindo cada uma perto de 100, 150 fiéis. Eles pretendem caminhar 50 quilômetros por dia.
No Interior, estão confirmadas manifestações de maior porte em Ribeirão Preto, Bauru, Registro e São José do Rio Preto, de acordo com o secretário de Formação da CUT Estadual, Antônio Souza Ribeiro, o Trampolim. Mas haverá também atividades em outras cidades."A CUT tem 17 subsedes no Estado de São Paulo e todas estão empenhadas em algum tipo de manifestação para o Grito dos Excluídos", afirmou.
Outro dos coordenadores, o assessor da direção executiva da central, Afonso Pola, disse acreditar que o movimento este ano produza manifestações em mais de 1,5 mil municípios. "O Grito dos Excluídos, quando começou há cinco anos, aconteceu em apenas 170 cidades e a adesão vem crescendo ano a ano", afirmou.
Também a Marcha Popular pelo Brasil, que reúne perto de mil pessoas, está caminhando desde o dia 26 de julho e hoje percorre cidades de Minas Gerais, participará do Grito dos Excluídos, mas ainda não definiu em qual cidade. Possivelmente será na região de Araxá. No dia 6 ou 7 de outubro essa marcha estará chegando em Brasília para participar do Grito Latino-Americano dos Excluídos, marcado para o dia 12 de outubro.
Nesse dia, além do ato nacional em Brasília, igreja católica e entidades populares planejam fazer manifestações em cidades de fronteira entre o Brasil e vizinhos do Mercosul, e ainda em 30 grandes cidades da América do Sul, América Central e México.

mockup