Grito dos Excluídos no PR terá ato em Ponta Grossa
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quarta-feira, 02 de setembro de 1998
Evandro Fadel Agência Estado 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) vai fazer uma celebração ecumênica e um ato público contra a fome em Ponta Grossa, a 120 quilômetros de Curitiba, às 16 horas do dia 7 de setembro. O protesto faz parte do 4º Grito dos Excluídos. As colunas da Marcha pelo Brasil, que saíram de várias regiões do Paraná, devem se encontrar na cidade no sábado, onde permanecem até a manhã do dia 8, quando reiniciam a marcha para Curitiba. Estão sendo esperadas cerca de 1.200 pessoas.
Em Curitiba, o Grito dos Excluídos será realizado no Bairro Novo, um dos que mais têm crescido na periferia da cidade. Apenas cerca de 100 sem-terra, da Coluna Contestado, que saiu de Bituruna, devem participar dessa manifestação, que pretende reunir 3 mil pessoas. A abertura do ato deve ter a presença do bispo de Curitiba, d. Ladislau Biernaski, também responsável pela celebração religiosa, ao meio-dia.
A prefeitura de Curitiba vai reforçar a vigilância em terrenos vagos do município entre os dias 5 e 8, quando também é feriado na cidade, em razão da festa da padroeira Nossa Senhora da Luz. A prefeitura teme que o feriado prolongado e a época pré-eleitoral possa estimular invasões destes terrenos. Os efetivos da Guarda Municipal, da Polícia Militar e de fiscais da Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs) serão aumentados. A prefeitura colocou alguns telefones à disposição da população para que denuncie qualquer tentativa de ocupação.
Os organizadores do Grito dos Excluídos esperam até 20 mil pessoas no dia 7, em Porto Alegre. Ontem foi confirmado que 100 ônibus farão o transporte dos manifestantes do interior do RS, o que representa cerca de quatro mil pessoas. Esperamos até 20 mil no desfile, disse uma das coordenadoras da marcha, Rosângela Soletti, do Centro dos Professores/RS, o sindicato dos professores.
A direção mineira do MST prepara uma grande manifestação para o feriado de 7 de setembro, em Belo Horizonte. De acordo com o dirigente estadual da entidade Noel Gonçalves, após o dia 7 o MST pretende aumentar o número de ocupações em praticamente todo o Estado. O alvo serão fazendas cujo processo de desapropriação está emperrado.
Cerca de 80 integrantes do MST ocuparam ontem a Fazenda Riacho Grande, em Euclides da Cunha, no Pontal do Paranapanema, em São Paulo. Os sem-terra terra já estavam acampados ao lado da propriedade há algum tempo. Esta é a 12ª invasão de fazendas no Estado desde domingo, quando o movimento retomou a ocupações na região. A invasão teve início às 7h30, mesmo horário em que no assentamento Che Guevara, distante 60 quilometros, a coordenadora do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Ipesp) Tânia Andrade, que está negociando a área para transformá-la em assentamento, reunia-se com os líderes do MST na região, entre eles José Rainha Júnior e Gilmar Mauro. Ela anunciou que o órgão deve receber R$ 34 milhões do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A verba será usada no pagamento de 11 acordos já concluídos com fazendeiros da região, entre eles os proprietários da Riacho Grande.
Satisfeitos com o anúncio, os líderes sem-terra anteciparam que caso seja confirmado o repasse das verbas, as invasões de propriedades que fazem parte do acordo no Pontal poderão ser suspensas. Nas demais áreas, porém, onde o Incra tem planos de promover desapropriações, a ofensiva do MST terá prosseguimento, advertiram.Marcelo Hide/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)PontalIntegrantes do MST caminham pelo pasto da Fazenda Riacho Grande, com facões e foices, em Euclides da CunhaProtesto tem o apoio da Igreja. Prefeitura de Curitiba reforça a segurança


