A não-privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel) deve ser o foco do 7º Grito dos Excluídos, que será realizado amanhã em Curitiba pelas pastorais sociais em parceria com o Conselho Nacional de Leigos e a Pastoral da Juventude. O evento, que reúne representantes da igreja e de movimentos populares, acontece simultaneamente em mais de mil cidades brasileiras. No Paraná, as 17 dioceses da igreja católica participam do Grito que, este ano, traz o slogan ''Por amor a essa pátria Brasil''.

Dom Ladislau Biernaski, bispo auxiliar e responsável pelas pastorais sociais na Arquidiocese de Curitiba, disse que a idéia é conscientizar as comunidades da importância de participar do plebiscito contra a venda da Copel, que está sendo articulado pelo Fórum Popular.

O Grito dos Excluídos também pretende convocar a população a se posicionar contra a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), contra a atual política econômica e o fenômeno da globalização.

A expectativa dos organizadores é de que, pelo menos, 5 mil pessoas participem da caminhada de protesto. A concentração será às 8h30, na Paróquia Santo Antônio Maria Claret, no bairro Boqueirão. De lá, os participantes seguirão até a favela Pantanal, que fica no mesmo bairro. A região, uma das mais pobres de Curitiba, abriga 690 famílias que vivem em situação irregular e sem infra-estrutura de saneamento básico. ''Essa é a capital social que nós queremos mostrar. Apesar de toda propaganda, mais de 15% da população de Curitiba vive em condições subumanas'', criticou.

Também está prevista coleta de assinaturas para cobrar uma posição do presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, sobre o plebiscito contra o pagamento da dívida externa, realizado no ano passado.

O Grito dos Excluídos é uma atividade que foi decidida durante a 2 Semana Social Brasileira (1993-1994), promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 1995, quando começou, era realizado apenas nas capitais e nas grandes cidades. O evento acontece sempre no dia 7 de setembro, data da independência do Brasil.

O protesto que acontece amanhã é também uma preparação para Grito Latino Americano, que será realizado em Foz do Iguaçu, no próximo dia 12 outubro.

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