Grito dos Excluídos entra no 2º dia rumo a Aparecida
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
Guararema, SP, 02 (AE) - A romaria do Grito dos Excluídos rumo a Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), entrou hoje no segundo dia de marcha, cumprindo 44 quilômetros pela Via Dutra. Mesmo sob o forte calor, a poluição e a baixa umidade do ar, o grupo pretende chegar a Aparecida na terça-feira (07), por volta das 10 horas, para o ato de protesto contra a miséria e a política econômica do governo federal.
Os 140 peregrinos caminham pelo acostamento da rodovia, escoltados por uma patrulha da Polícia Rodoviária Federal. "Esse é um ato essencialmente político que pretende denunciar essa política de exclusão", comentou um dos coordenadores do movimento, padre Afonso Lobato.
O cansaço e os efeitos da condição meteorológica fizeram que alguns romeiros tivessem de deixar por algumas horas a caminhada e serem levados para cuidados médicos em Jacareí (SP). Essa é a segunda edição da romaria que reúne peregrinos vindos de vários bairros pobres de São Paulo e de cidades do interior. A marcha funde a fé cristã com o protesto político, unindo num só cortejo imagens de Nossa Senhora Aparecida, cruzes, faixas e bandeiras do Brasil. Durante o percurso, os padres e coordenadores do grupo entoam hinos católicos e rezam. "Estamos conseguindo uma repercussão maior até do que esperávamos", conta o padre José Aécio Cordeiro da Silva.
O grupo caminhou de Arujá até Guararema, na Grande São Paulo, pela manhã, percorrendo um trajeto de 22 quilômetros. No período da tarde, outros 22 quilômetros foram percorridos, até Jacareí. Os manifestantes andam num ritmo forte, sem parar fora das marcações, previamente agendadas no roteiro de viagem. No fim da jornada, serão cerca de 200 quilômetros percorridos em menos de seis dias, numa média diária de aproximadamente 36 quilômetros.
O material de apoio é transportado em duas peruas Kombi, que levam água e medicamentos. Os mais cansados são recolhidos por duas enfermeiras. Um caminhão-baú leva a bagagem dos participantes. As pernoites são feitas em salões paroquias das igrejas das cidades do Vale do Paraíba. Depois de Jacareí, os romeiros passaram por São José dos Campos, Caçapava e Taubaté (SP), onde acontece, no sábado (04) pela manhã, um ato na praça da matriz, seguido de missa.
Em Taubaté, o grupo sairá da Via Dutra e seguirá por uma estrada secundária até o Distrito de Moreira César. Outros grupos estarão participando do Grito dos Excluídos em Aparecida, mas seguiram até a cidade em caravanas de ônibus. O cajado de madeira, símbolo de liderança social presente no antigo testamento, que é levado pelos os peregrinos fará parte das celebrações e da missa que acontecerá em Aparecida, na terça-feira, Dia da Independência, que será presidida pelo arcebispo da cidade, d. Aloísio Lorscheider. " O mais importante é que estamos unidos para mostrar a exclusão e as injustiças que vêm ocorrendo no País", comenta o padre Silva.
A previsão é reunir cerca de 50 mil participantes no protesto, que também contará com a Caravana dos Trabalhadores. Alguns líderes do meio político e sindical deverão comparacer ao ato. Integrantes da ala progressista da Igreja Católica também devem comparecer ao evento, porém, os coordenadores não adiantaram nenhum dos nomes das personalidades convidadas.


