O Grito dos Excluídos, realizado ontem em todo o País, teve em Curitiba palavras de ordem contra a privatização do Banestado, marcada para o próximo dia 17 de outubro. Os manifestantes fizeram um ato em frente a uma agência do banco, durante o percurso. ‘‘A privatização do Banestado faz parte desse processo de não priorização da vida, adotado pelos nossos governos’’, disse Rosa Ambrosine, da Pastoral Operária de Curitiba.
Organizado pelas pastorais sociais e sindicatos, como evento paralelo às comemorações oficiais de 7 de setembro, o Grito dos Excluídos teve como lema esse ano ‘‘Progresso e Vida, Pátria sem Dívidas’’.
A passeata realizada em Curitiba reuniu cerca de 300 pessoas que foram da Paróquia do São Braz até a Igreja de Santo Antonio de Órleans, na região de Santa Felicidade. Esse é o sexto ano consecutivo da realização do Grito dos Excluídos.
‘‘Como nós trabalhamos com comunidades excluídas, nossa passeata tem que acontecer nos bairros e não no centro da cidade’’, disse Rosa Maria Ambrosine. ‘‘Se o Grito dos Excluídos fosse para o Centro Cívico poderia parecer confronto, por isso preferimos ficar nos bairros mesmo.’’
As palavras de ordem dos participantes durante toda a caminhada foram ‘‘Não podemos pagar uma dívida enorme, não devemos pagar uma dívida injusta, não queremos pagar uma dívida que mata, progresso e vida Pátria sem dívidas, a vida acima da dívida’’. O Grito dos Excluídos encerra o plebiscito promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o pagamento da dívida externa.
Palco político O Santuário Nacional de Aparecida acabou se transformando num grande palco político ontem. As tradicionais bandeirolas com a imagem da santa exibiram uma nota de um dólar e dizeres contra o pagamento da dívida externa. Apesar dos religiosos reforçarem o caráter evangélico da manifestação, o cardeal-arcebispo da cidade, dom Aloísio Lorscheider, deu o tom do encontro em seu sermão, na missa das 10 horas e que reuniu cerca de 40 mil pessoas. ‘‘Nós ainda não podemos festejar a independência e a liberdade do País nesta data’’, afirmou.
Segundo a direção da basílica, 85 mil romeiros visitaram o local no dia da independência. O principal acontecimento do protesto que reuniu o Grito dos Excluídos, a 13ª Romaria dos Trabalhadores e a votação do plebiscito foi a missa presidida pelo cardeal Lorscheider e co-celebrada por mais de 80 membros da Igreja, entre padres e bispos.
Em sua homilia, o cardeal optou por ataques mais diretos contra a política econômica do governo federal, classificando-a de antievangélica. ‘‘A bandeira da justiça social é uma das primeiras do evangelho’’, alertou, sem repetir a postura moderada dos anos anteriores.

France Press
De Paris

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