Curitiba - Depois de dois anos sendo realizado como evento paralelo ao desfile oficial do dia da Independência, no Centro Cívico, o Grito dos Excluídos foi para a periferia de Curitiba. Na 13 edição, o manifesto chama a atenção para as cerca de 2 mil famílias que habitam, em situação de extrema miséria, num bolsão na divisa de Curitiba com São José dos Pinhais, na Região Metropolitana. A concentração foi, ontem de manhã, no Parque Metropolitano, na Avenida das Torres, e seguiu numa caminhada pelas vilas Icaraí e União, comunidades formadas por carrinheiros.
A manifestação, que ocorreu em todo Brasil, foi promovida pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e reuniu cerca de 500 pessoas integrantes pastorais sociais, sindicatos e grupos religiosos. ''Nosso objetivo é alertar a sociedade para a realidade das populações mais pobres, que são marginalizadas e vivem em situação subumana'', disse Deonísio Schmidt, diretor de relações sociais e sindicais do Sindicato dos Bancários de Curitiba.
O CMS realizou uma reunião com as lideranças das comunidades, quando foi sugerido que as famílias se organizassem em cooperativas para eliminar a figura do atravessador, que fica com a maior parte da renda delas. ''Deixamos um canal aberto para que possamos dar apoio às famílias nessa organização. Vamos sugerir ao poder público que busque alternativas para transformação da realidade dessas pessoas, que moram em barracões, sem energia elétrica, sem saneamento básico e condições de higiene'', disse Schmidt.
Integrantes da tribo indígena urbana Cambuí também participaram do Grito dos Excluídos. A tribo, que também fica na divisa de Curitiba com São José dos Pinhais, está localizada numa área de manancial e corre o risco de ser remanejada. ''Nesse ano, o Grito faz uma campanha pela anulação do leilão da Companhia Vale do Rio Doce, que foi vendida em 1997, pelo Fernando Henrique Cardoso. É um plebiscito que ocorre em todo País feito pelos movimentos sociais e sindicais'', informa Schmidt.

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