Grito da Terra volta ao DF atrás de recursos
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
O movimento Grito da Terra Brasil voltou a ocupar as ruas de Brasília ontem para pedir ao governo uma solução para a mesma pauta de reivindicações apresentada em maio, antes do rompimento das negociações. O único encontro agendado até agora está marcado para hoje com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Milton Seligman, além de técnicos de outros ministérios envolvidos com as reivindicações dos produtores rurais.
A única novidade da pauta é a criação de um fundo de aval, formado a partir de contribuições dos próprios agricultores e dos governos federal e estadual, para garantir os empréstimos bancários tomados pelos pequenos produtores. Também é prioridade do movimento a revisão do decreto que proíbe vistorias em áreas invadidas por trabalhadores sem-terra e, ainda, a elevação para R$ 3 bilhões dos recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O governo vai propor a divisão da pauta em assuntos que exijam solução imediata daqueles que possam ser resolvidos a curto ou a médio prazo.
O Grito, promovido pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura, planeja ficar dois dias em Brasília. O primeiro dia de manifestação foi pacífico, apesar de os 1,5 mil produtores rurais chegarem gritando agricultores do Brasil, pegaremos o fuzil, na praça que fica atrás da parada de ônibus onde foi queimado vivo o índio pataxó Galdino Jesus de Santos. A praça foi o ponto de partida para uma passeata de quase quatro quilômetros até a Esplanada dos Ministérios.
O Grito da Terra ficou conhecido em Brasília pela invasão do Ministério do Planejamento e por levar animais para o gabinete do ministro Antônio Kandir. O peru, que virou estrela daquela invasão, ao ocupar por várias horas a mesa de Kandir, também reapareceu ontem. Junto com outras aves colocadas em engradados em cima de um carrinho improvisado, ele puxou a passeata.
Para obter autorização para ocupar as ruas da cidade, o presidente da Contag, Francisco Urbano, teve de prometer ao governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque, que, desta vez, o movimento não iria invadir prédios públicos. Por precaução, no entanto, a Polícia Militar destacou 700 homens para a operação de policiamento da manifestação.


