Curitiba - Os quase 2 mil agricultores familiares e assalariados rurais vindos de várias regiões do Estado para participar da 9 marcha Grito da Terra Paraná, ontem de manhã em Curitiba, saíram, pelo menos aparentemente, satisfeitos com as respostas e promessas do governador Roberto requião (PMDB) e do vice-governador e secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Orlando Pessuti (PMDB) às suas reivindicações.
A marcha no Paraná coincidiu de acontecer um dia depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o Plano de Safra 2003-2004 e no mesmo dia em que o secretário da Agricultura Familiar do governo federal, Valter Bianchini, e o secretário Pessuti anunciaram o plano estadual, na Assembléia Legislativa. O ''Grito da Terra'' é realizado anualmente como forma de reivindicar às autoridades melhores condições para viver e produzir no campo. Em maio, foi realizada uma marcha nacional em Brasília. Agora, em junho, os estados estão organizando marchas regionais.
O Plano Safra do governo federal contempla pelo menos uma das bandeiras dos pequenos agricultores. O plano prevê a liberação, a partir de 15 de julho, de R$ 5,4 bilhões em todo País, através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). No Paraná, de acordo com Bianchini, o objetivo é ampliar em 30% o número de famílias beneficiadas com um aumento de 50% dos recursos. Segundo Pessuti, no ano passado o Pronaf destinou R$ 270 milhões com contratos fechados com 103 mil famílias. Com esse incremento, destinará R$ 450 milhões a 130 mil famílias.
''O valor está um pouco abaixo do pleiteado. O Grito Nacional pedia R$ 8,2 milhões, e no Paraná pedimos R$ 520 milhões. Mas se o governo efetivamente destinar esse dinheiro, já estará atendendo a demanda dos pequenos agricultores'', avaliou Ademir Muller, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep) órgão que coordena o movimento.
Os agricultores familiares são responsáveis por 87% dos estabelecimentos agropecuários, 48% da renda agropecuária no Paraná e 80% da produção dos alimentos da cesta básica. Apesar disso, segundo eles, ''ocupam apenas 41% das áreas cultivadas do Estado''. Dados do Censo Agropecuário 1995-1996 mostram que a agricultura familiar mantém 317.698 dos 369.875 estabelecimentos rurais existentes no Estado. Nos últimos dez anos, segundo a Fetaep, desapareceram mais de 96 mil propriedades paranaenses desse porte. Entende-se por propriedade familiar a que tem até 50 hectares de área.

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