Curitiba - Cerca de 2 mil agricultores e familiares de várias regiões do Estado se reuniram ontem, em Curitiba, para participar do 8º Grito da Terra Brasil-Paraná. O protesto, que é organizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), teve início logo pela manhã, quando os manifestantes se concentraram na Praça 29 de Março, na região central, e de lá seguiram até a Praça Santos Andrade. No começo da tarde, a passeata prosseguiu até a frente do Palácio Iguaçu, onde uma comissão de representantes se reuniu com o governador Jaime Lerner (PFL) para apresentar a pauta de reivindicações dos produtores rurais.
Ainda pela manhã, a comissão participou de audiência no Banco do Brasil, onde apresentou a proposta de ampliação dos recursos para financiamento. De acordo com o presidente da Fetaep, Antônio Zarantonello, seriam necessários, pelo menos, R$ 430 milhões, este ano, para atender a demanda reprimida, fazer ao aumento de 30% no custo de produção e ao crescimento de 25% na procura pelos empréstimos. No ano passado, foram disponibilizados R$ 290 milhões. A Fetaep calcula que 10% das 317 mil famílias de agricultores paranaense ficaram sem acesso aos financiamentos.
Em visita ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), os trabalhadores reivindicaram a agilização dos assentamentos de aproximadamente mil famílias que já foram cadastradas pelo órgão. ‘‘Houve compromisso de que esses assentamentos aconteceriam até dezembro do ano passado, mas até agora nada’’, criticou Zarantonello.
Junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi solicitado o apoio do órgão paranaense para que o INSS, em Brasília, reverta dispositivos da Normativa nº 57, que, segundo Zarantonello, trouxe prejuízos ao agricultor com a perda de benefícios previdenciários.
A comissão de manifestantes passou, ainda, pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT) pedindo melhores condições de trabalho. Cerca de 80% dos 420 mil trabalhadores assalariados da área rural não têm registro em carteira e, por isso, ficam à margem dos direitos conquistados por meio das leis trabalhistas. Solicitaram, também, uma fiscalização mais rigorosa entre os trabalhadores rurais para inibir os desrespeitos à legislação como a exploração do trabalho infantil.

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