Grito da Terra Brasil quer mais assentamentos
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domingo, 19 de julho de 1998
Evandro Éboli Agência Estado 
Arquivo FolhaPressãoTrabalhadores participam do Grito da Terra, no ano passado em Brasília. Movimento reivindica maior atenção do governo federal para a agricultura familiar e agilidade da Previdência na liberação das aposentadorias ruraisA Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) pretende entregar diretamente aos ministros do governo Fernando Henrique a pauta de reivindicações do 5º Grito da Terra Brasil, que começa hoje, em Brasília. Mas o presidente da entidade, o petista Manoel dos Santos tem dúvidas sobre a receptividade.
Santos não descarta a possibilidade de a diretoria da Contag não ser recebida em audiência, por causa do apoio da confederação à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo assim, Manoel dos Santos diz esperar que não haja retaliação.
A Contag representa nove milhões de trabalhadores do campo. O 5º Grito da Terra Brasil tenta obter compromissos do governo com o campo. Cerca de mil trabalhadores rurais acampam hoje, em Brasília, para pressionar o governo a negociar a ampliação da meta de assentamentos e o aumento de recursos para a agricultura familiar.
No Ministério da Agricultura, a Contag quer negociar a ampliação dos alistados nas frentes de trabalho no Nordeste. O governo inscreveu um milhão de trabalhadores nessas frentes. A entidade quer duplicar esse número. Outra reivindicação é que os recursos emergenciais destinados aos agricultores atingidos pela seca aumentem de R$ 225 milhões para R$ 1 bilhão.
Ao Ministério da Previdência a Contag vai pedir agilidade na liberação dos processos de aposentadoria de trabalhadores rurais. Quase um milhão de pedidos estão represados e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) se recusa a conceder benefícios a esses agricultores, que encontram dificuldades em provar anos de trabalho no campo.
No âmbito da reforma agrária, a Contag quer negociar a ampliação do número de áreas a serem desapropriadas e o aumento de recursos para os assentamentos de trabalhadores rurais. Segundo Manoel dos Santos, que vem negociando com o governo desde a primeira fase do Grito da Terra, em maio, o avanço nas conversas foi pouco significativo.


