Agência Estado
Lajes
Cerca de 10 mil pessoas cobraram do governo federal maior prazo para pagamento de empréstimos rurais e subsídios, durante o 2º Grito da Seca, realizado anteontem, em Lajes, a 131 quilômetros de Natal. O ato foi promovido por proprietários rurais do Estado e teve a participação de centenas de prefeitos do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Alagoas e Pernambuco.
‘‘Reivindicamos o direito de ter uma renda positiva’’, defendeu Antônio Ernesto de Salvo, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Se isso não ocorrer, Salvo alertou que os agricultores continuarão a migrar e criar problemas urbanos cada vez maiores nas capitais.
O prefeito de Campina Grande (PB), cidade com 400 mil habitantes, Cássio Cunha Lima (PMDB), criticou a política de subsídios do governo Fernando Henrique Cardoso. ‘‘O governo FHC concede subsídios para as montadoras como a Ford. Por que não subsidiar o povo do semi-árido nordestino para que ele não morra de fome?’’ Lima, que já foi superintendente da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), afirma que a transposição do Rio São Francisco é a única forma de reduzir o déficit hídrico do Nordeste.
O coordenador do Grito, o pecuarista Nélio Dias, acredita que o movimento só terá repercussão em Brasília se a bancada nordestina pressionar o governo. ‘‘No semi-árido brasileiro, onde vivem 26 milhões de pessoas, o governo fechou o Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Denocs), esvaziou a Sudene, cobra juros anuais de 20% e ainda dizem que somos incompetentes porque não competimos com os produtores europeus, subsidiados e que pagam no máximo 6% ao ano.’’

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