Curitiba - Subestimar os sintomas da gripe. Esse comportamento de risco é ainda mais grave se a doença for causada pelo vírus H1N1 e o paciente não receber o tratamento adequado, com o antiviral Tamiflu. Essa tem sido a tônica do aumento do número de óbitos por conta da gripe no Paraná. Boletim divulgado nesta quarta (20) pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) mostra que 946 pacientes foram diagnosticados com o H1N1 no Estado. O número de mortes por conta do vírus chegou a 183. O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) chegou a 1.019, com 202 mortes.
O novo boletim mostra que mais 14 mortes por gripe foram confirmadas no intervalo de uma semana. Dessas, 12 foram causadas por H1N1. "Nós da secretaria fazemos um alerta à população para tomar todos os cuidados necessários à prevenção e que elencamos na campanha ‘Não espalhe gripe. Espalhe essas dicas’. Dentro do objetivo maior de evitar mais mortes, é importante frisar que diante dos sintomas as pessoas devem procurar as unidades de saúde, pois esse tipo de gripe não se trata em casa. A virulência do H1N1 requer medicação, requer o antiviral Tamiflu, para que a doença não se agrave e o paciente morra", avisou a chefe do Centro de Epidemiologia da Sesa, Júlia Cordellini.
Mesmo sendo destaque na aplicação do protocolo de atendimento, a 17ª Regional de Saúde de Londrina, nesse boletim, registrou mais uma morte por SRAG, passando de 11 para 12. A morte foi em Londrina, que passou de 5 para 6 óbitos por conta da gripe, sendo todos por influenza A.
O número de mortes por H1N1 de pessoas na faixa etária de 50 a 59 anos já supera a quantidade de óbitos de idosos, o que tem preocupado a Sesa. O boletim apontou 59 óbitos de pacientes entre 50 e 59 anos, contra 58 mortes do grupo acima de 60 anos. "Apesar de terem uma imunidade maior do que o grupo acima de 60 anos, o que percebemos é que as pessoas entre 50 e 59 anos estão mais expostas e ao adoecerem têm um potencial de transmissão muito amplo. Sendo assim, reforçamos o pedido de que todos adotem os cuidados para evitar as complicações da gripe e a transmissão, o que inclui o hábito de lavar várias vezes as mãos, usar o cotovelo ao tossir e deixar os ambientes ventilados mesmo que esteja frio", orientou.
Após videoconferência promovida pela Sesa, na sexta-feira passada, com as quatro regionais consideradas mais críticas no que se refere ao sucesso dos procedimentos de atendimentos aos pacientes – Foz do Iguaçu, Guarapuava, Cascavel e Francisco Beltrão – a secretaria conseguiu elencar ações para melhorar o atendimento oferecido na atenção primária. "De longe, a 9ª Regional de Foz do Iguaçu e principalmente a cidade de Foz têm consumido mais atenção. Conseguimos acertar com a gestão municipal uma reorganização dos processos de trabalho, que a partir do dia 1º de agosto serão implementados, pois identificamos que a atenção primária estava muito aquém do nosso protocolo de atendimento", revelou a chefe do Centro de Epidemiologia da Sesa.

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