Gripe A: doença ainda preocupa
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domingo, 27 de junho de 2010
Marcela Rocha Mendes <Br>Equipe da Folha 
Curitiba - Há um ano o vírus Influenza A (H1N1) se instalava no Paraná. A comprovação veio com confirmação dos primeiros casos autóctones - contraídas no estado. As primeiras medidas para conter a propagação da doença - inicialmente chamada ''gripe suína'' e rebatizada de ''nova gripe'' ou ''gripe A'' - foram deixadas de lado quando a transmissão sustentada virou realidade por aqui. E o Estado se preparava para a temida epidemia, que efetivamente veio.
Um ano depois, as autoridades em saúde pública e privada divergem sobre a possibilidade de uma repetição desse quadro. No entanto é consenso que o aprendizado sobre a nova gripe foi grande e hoje o comportamento da doença, então desconhecida, não é mais inesperado.
O pico epidemiológico aconteceu justamente com a chegada do inverno. O maior número de casos e de óbitos foi registrado no final do mês de julho e início de agosto. ''Naquela época, não se sabia o manejo clínico de um paciente com a doença. Havia muita dúvida sobre o uso do medicamento porque não sabíamos se o vírus desenvolveria resistência a ele. E era a nossa única arma'', explica o superintendente de Vigilância em Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), José Lúcio dos Santos.
Uma nova epidemia?
Se por um lado é tranquilizador saber que o conhecimento sobre a gripe A e toda a estrutura montada para o enfrentamento da doença permanece, também é fato que o vírus continua circulando. ''Diferente da gripe sazonal, que desaparece no verão, os casos de gripe A continuaram'', explica Santos.
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Carlos Roberto Goytacaz Rocha, não descarta uma nova epidemia. ''Estamos começando o inverno e já tivemos 15 óbitos antes dele. Nossa luta era para que vacinassem toda a população do Paraná, um estados dos mais atingidos pela doença no ano passado.''
O presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia, Alceu Fontana Pacheco diz que ainda é uma doença que preocupa. Contudo, ele acredita que o vírus terá mais dificuldade em circular este ano devido a grande parcela da população que está imunizada.
Santos enumera as razões de uma possível epidemia da doença ser mais branda. ''Primeiro, agora sabemos como fazer o manejo dos pacientes. Segundo, temos a disponibilização do medicamento. Terceiro, boa parte da população está imune. E quarto, as pessoas agora têm uma compreensão sobre a gripe''.
Esse último, segundo Santos foi um dos principais motivos das mortes em decorrência de complicações da nova gripe. ''As pessoas buscavam tardiamente o atendimento médico. E o médico acabava, muitas vezes, aplicando tardiamente o medicamento, que é mais eficaz nas 48 horas após o aparecimento dos sintomas. Mas naquele momento todo mundo lidava com o desconhecido.''
Sequelas
Goytacaz levanta outra questão: as sequelas da doença. ''Alguns pacientes que tiveram a forma grave da gripe A ficaram com edema pulmonar ou com dificuldade respiratória. Isso significa uma diminuição na qualidade de vida da pessoa. Mas hoje a classe médica está mais confiante. Se a pessoa tiver a doença, ela virá até nós e será tratada tranquilamente'', afirma.
Um dos ''homens de frente'' na formulação das ações de enfrentamento da doença, Santos não aponta erros nas decisões tomadas pelas autoridades em saúde naquele primeiro momento. ''Quando se lida com algo novo, não dá para dizer que houve erro. Tudo é aprendizado''.


