Itapeva, SP, 25 (AE) - A Fazenda Pirituba, situada entre Itapeva e Itaberá, no Sudoeste de São Paulo, tem sido, nos últimos 50 anos, motivo de uma das mais intrincadas disputas por terra no Estado. A propriedade, com 17.420 hectares, foi alvo de uma batalha jurídica que durou 20 anos, empreendida pelo Estado contra cinco grandes grileiros, conhecidos na região como o "grupo dos boiadeiros". A grilagem e o arrendamento ilegal de partes da fazenda são as causas das dificuldades, encontradas até hoje pelo governo, para regularizar os títulos de antigos colonos.
"Houve na fazenda uma sucessão de problemas que dificultaram a regularização da posse das áreas", lembra o secretário de Justiça e da Cidadania do Estado, Belisário dos Santos Júnior.
A fazenda foi absorvida pelo Estado em 50, durante a administração do ex-governador Adhemar de Barros, como pagamento de uma dívida que a Companhia Agrícola e Industrial de Angatuba possuía no Banespa. O objetivo inicial do governador era assentar na área uma nova leva de imigrantes italianos para um projeto de cultivo de trigo, segundo o livro "Mediação no Campo: Estratégias de Ação em Situações de Conflito Fundiário", editado em 1998 pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). As casas foram construídas, as máquinas, compradas, mas o contingente de imigrantes foi muito pequeno e o projeto não vingou.
O engenheiro italiano Lino Vincenzi, administrador do projeto, passou então a arrendar ilegalmente as áreas abandonadas, dando início a uma indústria de grilagens. O esquema foi tema, em 1975, de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa, que decidiu pelo afastamento de Vicenzi e de outros funcionários.
Os "boiadeiros" detiveram mais de 5 mil hectares e resistiram por quase 20 anos às tentativas do Estado de reaver a posse das terras. Em 1966, segundo o Itesp, a tentativa de regularização dos títulos resultou na expansão dos domínios dos grileiros, novamente pela ação de funcionários do governo. A defesa dos grileiros, baseada na tese de que obtiveram as terras por meio de um representante do Estado, seria derrubada na Justiça em 1984, após sucessivas invasões promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

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