Grevistas protestam contra exploração
Cerca de três mil trabalhadores da Usina Central Paraná, em Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina) fizeram ontem uma passeata de protesto pelas ruas da cidade, depois de decidirem pela continuação da greve, que dura 14 dias. Reivindicando salários atrasados desde dezembro e gritando palavras de ordem contra o Grupo Atalla, proprietário da usina, os trabalhadores pediram o apoio dos comerciantes, que abaixaram as portas das lojas. Houve comoção entre lojistas, comerciários e demais moradores. Nenhum incidente foi registrado pela Polícia Militar, que acompanhou de longe a manifestação.
Os grevistam repetiram, durante o percurso, que aquela era a passeata da fome e do fim das explorações. No auge da safra a usina emprega cerca de oito mil funcionários de Porecatu. Dezenas de municípios do Norte do Estado e do interior paulista se empregam na empresa.
Organizada pelo Sindicato dos Rodoviários de Londrina e lideranças sindicais de Porecatu e municípios vizinhos, a passeata parou em frente à prefeitura. Os manifestantes exigiram a presença do prefeito Dionizio Santos de Souza (PT), que atendeu à convocação.
Souza lamentou a necessidade do recurso da greve para exigir pagamento por trabalhos já prestados. E se comprometeu a buscar soluções para o impasse. Até agora a prefeitura ainda não havia se posicionado a respeito da assunto.
De acordo com o vice-prefeito Osvaldo Sana (PT), a prefeitura já está entrando em contato com autoridades paranaenses e prefeitos da região. Sana considera que está faltando um mediador entre usina e empregados. Estamos pensando em solicitar intercessão do arcebispo da Arquidiocese de Londrina (dom Albano Cavallin).
O bispo auxiliar de Londrina, dom Vicente Costa, informou à Folha que já foi informado da situação em Porecatu pelo padre Luís Giavarini. Dom Vicente Costa disse que está diposto a mediar as negociações.
Cerca de seis mil trabalhadores, safristas e efetivos, estão sem receber o 13º e salário de dezembro, além de acertos de rescisões de contrato. Segundo denúncias de funcionários, a empresa não recolhe Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), não paga os 40% nas rescisões contratuais, descontam INSS, contribuição sindical, mas não repassam aos referentes órgãos. O Ministério do Trabalho confirmou as irregularidades, mas até agora nenhuma providência foi tomada.
As denúncias de contratações ilegais e rumores de dívidas da usina com os governo estadual e federal levaram os sindicatos a planejar documentação e a recolher assinaturas para pedir a intervenção federal na empresa.
Segundo a proposta dos usineiros, rejeitada pelos empregados três vezes em assembléia geral, os dias parados seriam pagos somente até ontem. A partir de hoje os funcionários teriam que retornar ao trabalho, mas eles decidiram continuar em greve por tempo indeterminado. (Maranúbia Barbosa, enviada a Porecatu)





