Curitiba - Os trabalhadores dos Correio fizeram ontem um protesto simbólico com a encenação do velório e enterro do presidente nacional da empresa, Carlos Henrique Custódio, e do diretor estadual no Paraná, Itamar Ribeiro. Em greve desde o dia 30 de junho, os representantes da classe entregaram também uma carta aberta à população explicando os motivos da nova paralisação, a segunda em menos de três meses.
  Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), Nilson Rodrigues dos Santos, o manifesto era para mostrar o ‘‘pagamento dos pecados’’ dos dirigentes da empresa. ‘‘Na encenação, eles foram entregues à figura do diabo por não terem honrado o termo de compromisso com os trabalhadores, firmado após a última paralisação; por terem feito a distribuição dos lucros de forma injusta, dando até R$ 40 mil para
diretores e R$ 200 para os
trabalhadores; e pela intransigência nas negociações do plano de cargos, carreiras e salários (PCCS) dos funcioná-rios’’, explica.
  O sindicato começou a coletar, nesta semana, assinaturas dos trabalhadores pedindo o afastamento de Custódio do cargo de presidente nacional da empresa. Durante a manifestação de ontem, a categoria lançou outro abaixo-assinado pedindo solidariedade da população. Segundo Santos, apesar das pressões para que o Governo Federal, através do ministro das Comunicações, Hélio Costa, interfira nas negociações, ainda não tiveram nenhuma resposta.
  Na carta aberta entitulada ‘‘Estamos em greve e contamos com a sua compreensão e apoio’’, o Sintcom explica os motivos da paralisação e rebate informações divulgadas pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de que teria negociado o PCCS e que não teria recursos para cumprir o acordo com os trabalhadores.
  Segundo o assessor de imprensa da Diretoria Regional Paraná da ECT, Celso Guimarães, a empresa não tem comentários sobre a manifestação de ontem, mas já se posicionou com relação à greve e agora aguarda o parecer da Justiça. De acordo com Celso, todos os dias funcionários voltam ao trabalho e, por isso, os grevistas deverão ser cada vez mais criativos.

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