A direção da Usina Central do Paraná, produtora de açúcar e álcool, em Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina), deve apresentar amanhã uma contraproposta às reivindicações dos cerca de 1.500 trabalhadores em greve desde o último dia 12. Os empregados, coordenados por quatro sindicatos de Londrina, Porecatu e Florestópolis, ligados a diversos setores da usina, pedem o pagamento do 13º e salário de dezembro, além de reposição salarial de 26%.
Segundo Daniel Malaquias, um dos integrantes do movimento grevista, uma comissão de funcionários e sindicalistas esteve reunida ontem pela manhã com diretores da usina, que pediram prazo para dar um parecer definitivo sobre a greve.
Entre os trabalhadores impera a lei do silêncio. Temendo represálias, poucos ousam comentar a greve. ‘‘Aqui na cidade ou somos empregados ou temos familiares e amigos na usina’’, disse um funcionário, sem se identificar. ‘‘É um monopólio.’’ No auge da safra, cerca de cinco mil trabalhadores se empregam na usina.
O vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina, João Batista, disse ter poucas esperanças de que a direção da usina apresente propostas favoráveis às exigências dos trabalhadores. Batista afirmou que o clima de animosidade entre os empregados é grande. ‘‘A relação da usina com a cidade beira o foro sentimental’’. Ele teme que os ânimos se exaltem e haja até mesmo alguma atitude mais radical. ‘‘Vamos fazer o possível, mas está difícil segurar o pessoal’’, avisou.
De acordo com a Polícia Militar (PM) de Porecatu, nenhum incidente grave foi registrado até agora. A PM informou que a aglomeração de funcionários é maior pela manhã, mas o movimento tem sido pacífico. Desde o início da semana, a reportagem da Folha tentou diversas vezes contato com diretores da Usina Central do Paraná, mas eles não retornaram as ligações.

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