Grevista deve repor aulas, diz ministro
Grevista deve repor aulas, diz ministro
Mas ameaça não suspende paralisação de professores de 30 das 52 instituições e mantém impasse por melhores salários
Simone Nepomuceno
Agência Folha
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse ontem que os professores da rede federal de ensino superior deverão repor os dois meses de aulas perdidas por causa da greve. A reposição deve haver em qualquer caso. É relativamente simples repor aulas, basta fazer um remanejamento do calendário escolar, afirmou.
Com esse remanejamento, o ministro disse acreditar que não há possibilidade de os estudantes perderem o semestre ou o ano letivo. Mas não há perspectivas para o fim da greve. Segundo a Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), das 49 instituições que estão paradas - de um total de 52 existentes - e estavam em assembléias ontem, 30 já decidiram pela continuação da greve.
Cria-se um impasse. De um lado, os professores só concordam em retomar as aulas caso o pagamento dos dias parados seja liberado e a proposta de reajuste de 48,62% seja aceita. Do outro, o ministro que afirma que a liberação só será feita quando eles retornarem ao trabalho.
Isso é ilegal. Ele não tem o direito de reter nosso dinheiro, disse Almir Menezes Filho, membro da diretoria da Andes. O MEC elaborou uma proposta, que será encaminhada hoje ao Congresso, que oferece uma gratificação de R$ 96 a R$ 1.100 aos professores com mestrado ou doutorado. Para Menezes, a gratificação proposta pelo governo não deveria ser diferenciada e, sim, isonômica.
O ministro disse que essa diferença serve para estimular o docente a fazer mestrado e doutorado. É um absurdo que um professor de universidade tenha apenas graduação. Menezes afirmou que a entidade já possui estratégias, além da greve, para tentar obter resultados positivos nas negociações. Nós vamos continuar forçando, pois só assim é que conseguiremos pelo menos sentar para negociar, afirmou.





