Agência Estado
A greve dos motoristas e cobradores do transporte coletivo em Campinas, iniciada à zero hora de ontem, complicou ainda mais a vida na cidade, que há oito dias já vinha sofrendo com a paralisação dos servidores públicos municipais. A cidade, com cerca de um milhão de habitantes, amanheceu sem ônibus, sem atendimento nas unidades municipais de saúde, e sem aulas nas escolas do município. As duas categorias protestam contra o corte de benefícios trabalhistas.
Cerca de 350 mil pessoas ficaram sem transporte coletivo. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários, 90% dos quatro mil trabalhadores da categoria aderiram à greve. Das seis empresas permissionárias que atuam na cidade, apenas uma continuou funcionando.
Os motoristas e cobradores protestam contra o não-pagamento dos vales-refeição, cestas básicas e convênios médicos de maio e junho. Na quarta-feira passada, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que as empresas efetuassem o pagamento dos benefícios, mas a medida não foi cumprida.
O presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), Armando Damasceno, alega que as permissionárias não têm recursos. Segundo ele, a entrada em operação das peruas que operam em sistema de lotação, afetou o movimento de passageiros dos ônibus.
Representantes dos empresários e trabalhadores deveriam se reunir ainda ontem, na Procuradoria do Trabalho, para tentar superar o impasse. Pela manhã, os passageiros formavam longas filas nos pontos de ônibus. A greve obrigou muitas pessoas a tirar o carro da garagem ou optar pelas peruas que circulam em sistema de lotação. Segundo os perueiros, o movimento, só nas primeiras horas da manhã, havia aumentado em 100%. A administração municipal não interferiu no impasse.
A situação também era caótica nos postos de saúde, creches, escolas e hospitais administrados pelo município. O Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais informou que 80% dos 15 mil servidores aderiram ao movimento. Eles protestam contra o corte dos adicionais por insalubridade e periculosidade e pelo parcelamento dos salários de maio.
No Hospital Municipal Mário Gatti, 70% dos funcionários participam do movimento. Desde o início da greve, há três semanas, apenas os casos de urgência e emergência estão sendo atendidos. Na rede de ensino, pelo menos 30 mil crianças ficaram sem aulas nas escolas e creches, segundo avaliação do sindicato. Até o início da tarde, a prefeitura não havia divulgado um balanço sobre os efeitos da paralisação.
A greve dos motoristas e cobradores fez com que o movimento nos hospitais municipais diminuísse ontem, mas o hospital Celso Pierro ainda sofria as consequências da paralisação na rede municipal. Administrado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp), a unidade é uma das únicas alternativas para pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos últimos dias, por causa da greve, a demanda no hospital aumentou 50%.

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