Greves mobilizam 9 mil docentes universitários
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Diego Prazeres<br> Reportagem Local 
Londrina - Em repúdio ao pacote de ajustes enviado pelo governador Beto Richa (PSDB) à Assembleia Legislativa, os cerca de 9 mil docentes das sete universidades estaduais instaladas no Paraná já entraram ou entrarão em greve por tempo indeterminado nesta semana.
Os primeiros professores a parar foram os da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), desde a última segunda-feira. No mesmo dia, os docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) deliberaram em assembleia geral entrar em greve a partir de amanhã. Na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), nos Campos Gerais, a greve dos professores já teve início ontem, após assembleia realizada semana passada.
De acordo com a Regional Sul do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), a paralisação na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e Universidade Estadual de Maringá (UEM) será anunciada em assembleias que ocorrerão amanhã. No caso da Unioeste, já há um indicativo de greve votado por professores e servidores para o próximo dia 19, início do ano letivo.
Ontem à noite, os docentes do campus de Paranaguá da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), onde funciona a Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá, também deliberariam pela greve. Nos demais campi da instituição Curitiba, Apucarana, Paranavaí, Campo Mourão e União da Vitória , os professores já haviam aprovado a paralisação, segundo a Andes.
A pauta de reivindicações dos professores universitários envolve a revogação do pacote de ajustes do Governo Estadual, revisão da criação do fundo de pensão privado para os servidores estaduais, o pagamento do 1/3 do salário de férias e a manutenção da autonomia universitária, bandeira antiga da classe. Os docentes se juntaram às demais categorias que durante todo o dia de ontem se mobilizaram contra a votação do pacote pela Assembleia Legislativa, em um grande ato público realizado no Centro Cívico, em Curitiba, onde ficam as sedes do Legislativo e o Palácio Iguaçu.
A segunda vice-presidente da Regional Sul da Andes, Mary Falcão, disse que o governo Richa rompeu as negociações com os professores universitários por uma ampla revisão nos planos de carreira ao propor um pacote de medidas que a categoria considera nocivas à profissão e às próprias instituições públicas de Ensino Superior. "Vínhamos discutindo desde o ano passado sobre as pautas da carreira, mas o governo rompeu a conversa ao lançar esses pacotes que acabam com a carreira docente, além de cortar verbas de custeio e pesquisa. Nós entendemos esse processo como um desmonte das universidades públicas do Paraná", afirmou.
Por meio da assessoria de comunicação, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) informou que está acompanhando as deliberações das assembleias realizadas pelos docentes simultaneamente à votação do pacote de ajustes do governo na AL, pois considera que "as greves podem ser revistas dependendo do parecer dos parlamentares".
A Seti acrescentou que o governo retirou do pacote itens criticados pelos servidores e docentes das instituições de Ensino Superior, como os que extinguiriam o quinquênio e o anuênio. A assessoria também informou que o secretário João Carlos Gomes, ex-reitor da UEPG, terá uma audiência amanhã com os representantes dos sindicatos de todos os trabalhadores das universidades estaduais na sede da secretaria, em Curitiba.


