Brasília- As greves dos funcionários do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) impuseram ao contribuinte um custo de R$ 1,5 bilhão nos últimos cinco anos. O cálculo, feito por um profundo conhecedor do setor, considera que apenas metade da categoria cruzou os braços nas greves, que vêm sendo realizadas com regularidade a cada ano. Em cinco anos, os funcionários do INSS já deixaram de trabalhar 11 meses, somados todos os períodos em que ficaram parados.
Ainda assim, para garantir a abertura dos postos a partir de hoje, o governo desistiu de descontar os salários dos grevistas. Em vez de receber o desconto pelos 73 dias parados, eles apenas terão de ampliar o horário de atendimento ao público em duas horas por aproximadamente 60 dias e trabalhar meio expediente nos três próximos sábados. Os funcionários que já tinham sofrido o desconto receberão seus pagamentos de volta.
''Em nenhum lugar do mundo é correto pagar a quem não trabalhou'' disse o especialista, que vê na greve deste ano a repetição de erros do passado. Ele argumentou que qualquer greve longa que atinja serviços essenciais para a população, como é o caso da Previdência Social, deixa o governo desnorteado e angustiado. ''A partir de um certo momento, o governo faz qualquer coisa para a paralisação acabar e é aí que está o erro'', observou. Ele explica que, por outro lado, o servidor não corre risco algum por parar de trabalhar, '' a não ser o de ganhar o que está pleiteando''.
O resultado são greves sucessivas, cada vez mais longas e com elevado custo social em termos de danos à população. ''Temos que romper essa tradição e a saída é uma regulamentação severa do direito de greve no setor público, que acarrete custos para quem não comparecer ao trabalho'', defendeu.
No acordo firmado desta vez, o governo acabou usando como negociador o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para encerrar o impasse criado entre o comando de greve e o Ministério do Planejamento, até então responsável pela questão. Ex-presidente da CUT, Marinho conduziu a negociação com o comando de greve dos servidores do INSS pela madrugada de sábado.

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