Greve traz prejuízo para o setor avícola
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quinta-feira, 04 de maio de 2000
Giovani Ferreira De Curitiba 
A partir de hoje três milhões de pintainhos podem começar a morrer na região Oeste do Estado. A informação é de Ícaro Fiechter, diretor executivo da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), que está preocupado com o prejuízo que a greve dos caminhoneiros pode causar ao setor. A paralisação também está afetando o abate de aves, já que não existem caminhões para transportar os frangos até os grandes centros.
Conforme projeções da Avipar, nos próximos dias o abate em todo o Estado deve cair em 80%, uma vez que as câmaras frigoríficas utilizadas para armazenagem estão lotadas. A greve pode representar, segundo Fiechter, a paralisação de vários abatedouros. Se a situação não se normalizar, ainda esta semana pode haver dificuldade para as pessoas encontrarem carne de frango em algumas regiões do Estado, prevê Fiechter.
Com relação aos pintainhos, ele explicou que nesta fase do crescimento essas aves são muito frágeis e por isso devem ser encaminhadas 12 horas após o nascimento até as granjas das propriedades rurais. Caso contrário muitas morrem ou não conseguem apresentar bons índices de produtividade, esclarece o diretor da Avipar.
A Avipar encaminhou ofício ao governo do Estado solicitando que as negociações sobre o assunto sejam retomadas o quanto antes, na intenção de se resolver o impasse que vem motivando a paralisação do transporte e causando prejuízos que estão atingindo o setor avícola paranaense. Fiechter esclareceu que a Avipar não é contra o movimento dos caminhoneiros, entretanto, a entidade precisa trabalhar no sentido de buscar uma solução para o problema.
O abastecimento de hortifrutigranjeiros nos supermercados do Paraná também está sendo afetado pela greve. A situação já é precária principalmente nos municípios do interior, onde estão trabalhando apenas com produtos da agricultura regional.
Segundo Sidney Schnekemberg, conselheiro da Apras em Ponta Grossa, pelo menos 80% dos hortifrutigranjeiros consumidos na cidade são oriundos do Ceasa, em Curitiba, e estados como Rio de Janeiro e São Paulo. A demanda dos 20% restante, que está amenizando em parte a situação, é suprida pela produção regional e resume-se basicamente a verduras. Na avaliação de Sidney, a situação está complicada porque nem mesmo o Ceasa está conseguindo receber o volume normal de produtos.
No Ceasa em Curitiba o movimento de chegada de produtos caiu entre 12% e 15%. A mercadoria que deixa de chegar são principalmente as frutas, compradas em estados distantes.


