Curitiba- Trabalhadores dos Correios em Curitiba, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Paranaguá, no Litoral do Estado, descontentes com a política salarial da empresa, entraram, ontem, em greve, por tempo indeterminado. O sindicato da categoria (Sintcom-PR) não tinha, ainda, um balanço do total de cidades onde houve paralisação. A direção dos Correios no Paraná estimava, ontem, 17% de adesão em todo o Estado, o que equivaleria a cerca de 1 mil funcionários parados –a grande maioria carteiros.
  O diretor sindical Santino Sebastião da Silva disse que a principal queixa dos trabalhadores é em relação ao Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS), que teria sido implantado de forma ‘‘unilateral’’, sem discussão e anuência dos empregados. As reinvidicações da categoria, como piso salarial de R$ 1.190,23, reposição salarial de 47,77% referente às perdas acumuladas, incorporação do adicional de risco aos salários, entre outras, não teriam sido contempladas no PCCS. A proposta de criação do ‘‘cargo amplo’’–o de agente dos Correios–, segundo ele, também desagradou. A preocupação é com eventual desvio de função.
  A assessoria de imprensa dos Correios no Paraná informou que a empresa implantou o PCCS depois de negociação entre a direção, em Brasília, e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresa de Correios e Telégrafos (Fentect). A empresa lembrou que o projeto criando adicional de periculosidade para os carteiros foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi proposto, então o Adicional de Atividade de Distribuição e Coleta (AADC), que prevê valor fixo no lugar de um percentual do salário como queriam os representantes da categoria.
  Ainda de acordo com a assessoria, foi uma greve ‘‘inesperada’’ e, por isso, a empresa não tinha ainda uma avaliação quanto à dimensão da paralisação. De qualquer forma, os Correios trabalharam, ontem, com restrições nos serviços especiais como o Sedex 10, avisando os clientes sobre possíveis atrasos na entrega.
Cortar o ponto
  A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) informou ontem que vai cortar, a partir de hoje, o ponto dos funcionários em greve. Segundo a ECT, a paralisação atinge 40% dos 110 mil funcionários e oito estados não aderiram à paralisação (Roraima, Amapá, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina).

mockup