Greve provocou aumentos de até 80% nos preços
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 30 (AE) - Os preços dos legumes, um dos produtos in natura mais afetados pela greve nacional de caminhoneiros, subiram hoje entre 30% e 35% no mercado atacadista de São Paulo. A alta mais expressiva dentre os in natura foi do limão, que ficou 80% mais caro de quinta para sexta-feira.
O consumidor poderá sentir amanhã e depois o reflexo da alta no atacado. Mas a tendência é que os preços recuem nos próximos dias, com entrada de mercadorias. Hoje, até 14h30, tinham dado entrada na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) cerca de 5,5 mil toneladas de produtos transportados em 850 caminhões. Isso equivale a 55% do abastecimento de um dia normal. A perspectiva era que até as 18 horas o volume desembarcado chegasse a 70% de um dia normal.
A regularização do trânsito nas entradas deverá ocorrer no início da próxima semana. Os portões da Ceagesp estarão abertos domingo. Para segunda-feira é esperado movimento 15% acima do normal. Nos supermercados, a recuperação integral do fluxo de mercadorias deverá ocorrer só na semana que vem, diz o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf.
Já com as frutas não houve negócios hoje porque, até a metade da tarde praticamente não tinham sido descarregadas novas remessas. Segundo o gerente de Entrepostos da Ceagesp, Stroesser Rodrigues Santa Cruz, com a deterioração das frutas, muitos motoristas consideraram mais econômico retornar à cidade de origem a descarregar o produto com qualidade ruim na Ceagesp.
No caso das verduras e do morango, Cruz esclarece que o abastecimento está regular em quantidade, preço e qualidade, uma vez que são produzidos no cinturão verde da cidade e os caminhões que transportam esses produtos podem cortar caminho e, portanto, não foram afetados pela greve.
Na avaliação da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o abastecimento será normalizado de três a cinco dias e a entidade aconselha que o varejo e a indústria negocie o impacto das perdas. "Com certeza haverá muita devolução", afirma Wilson Tanaka, presidente do Sincovaga, sindicato que reúne os pequenos supermercados.


