São Paulo, 31 (SP) - A greve nacional dos caminhoneiros fez com que as empresas montassem uma verdadeira "operação de guerra" para tentar preservar o máximo possível a produção. Além disso, passado o susto de uma iminente crise de abastecimento, as empresas devem analisar até que ponto é possível trabalhar com estoques mínimos de matérias-primas e produtos acabados, seguindo as técnicas mais modernas de administração, sem correr riscos de colapso na produção, caso tenham de enfrentar algum obstáculo, advertem consultores.
A Sadia, por exemplo, que previa, na sexta-feira, retomar o ritmo de produção em cinco dias, improvisou para amenizar os estragos provocados pela interrupção do transporte de carga. A empresa chegou a embarcar funcionários em ônibus comuns de passageiros, levando para as unidades de produção pequenas quantidades de microelementos, que são matérias-primas essenciais na fabricação de rações.
União - As indústrias do setor de laticínios, concorrentes ferozes nas prateleiras de supermercados, deixaram de lado as diferenças e se uniram para administrar um problema comum: a perecibilidade de seus produtos. Uma emprestou matéria-prima a outra e até destinou sua cota de leite para a usina mais próxima.
Segundo o consultor de logística da Vantine Consultoria, Claudirceu Marra, a greve dos caminhoneiros deve fazer com que as empresas questionem se poderão continuar confiando no just in time, como foi concebido no Japão. Adotada por boa parte das empresas, a técnica original, inventada pelos administradores da Toyota, na década de 60, recomenda trabalhar com estoque mínimo de matérias-primas e produtos acabados.

mockup