Greve provoca dia de confusão
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Rubens Chueire Jr. <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A acompanhante de idoso Derzeli da Luz, moradora de Colombo, município da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), aguardava ontem à tarde, no Terminal Guadalupe, no Centro da Capital, uma carona para voltar para casa. Ela chegou na cidade após uma viagem e não esperava encontrar o local vazio. ''Caminhei da rodoviária até aqui e ninguém me avisou desse problema'', reclamou.
O estudante Lucas Alexandre da Silva também estava surpreso. ''Voltei da praia hoje e não encontrei nenhum ônibus para Colombo, onde moro. Estou aqui há horas, e pior, a bateria do meu celular está para acabar'', apontou.
Esses são apenas dois exemplos. Mas ontem cerca de 2,3 milhões de pessoas que são transportadas diariamente pelos ônibus da Rede Integrada de Transporte (RIT) tiveram que pensar em outra forma para se deslocar. A paralisação prossegue hoje após uma assembleia da categoria rejeitar a proposta das empresas de transporte, mas devido a uma decisão da Justiça do Trabalho, diferente de ontem, 50% da frota total estará circulando no horário normal, e 70% nos horários de pico (das 5 às 8h30 e das 17 às 19h30).
O sistema de transporte coletivo funciona com 1.915 veículos circulando em 355 linhas espalhadas por Curitiba e mais 13 municípios da Região Metropolitana. Ontem tudo parou devido à greve dos cerca de 15 mil cobradores e motoristas do sistema de transporte coletivo.
Com a paralisação, o trânsito já complicado da Capital ficou ainda pior. A Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), que administra o transporte coletivo, autorizou o cadastro temporário de vans e carros particulares para fazerem o transporte em algumas linhas antes feitas pelos ônibus.
Segundo o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), o piso de um motorista de ônibus é de R$ 1,3 mil e dos cobradores de R$ 770, além de anuênios, plano de saúde e vale-alimentação no valor de R$ 105. Em assembleia na noite de segunda-feira, eles rejeitaram a proposta do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) de 7% de reajuste e decidiram pela greve. A categoria pede aumento de 40% nos salários e mais R$ 210 de vale-alimentação.
Ontem, em reunião no Tribunal Regional do Trabalho da 9 Região (TRT9), após o Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) ajuizar dissídio coletivo de greve, representantes das partes se reuniram para decidir a possibilidade de fechar um acordo após uma nova proposta das empresas. Ficou acordado um reajuste de 8% mais R$ 200 no vale-alimentação. Além da proposta apresentada, ficou acordado que o Sindimoc assegurasse 50% dos ônibus em horários normais de funcionamento e 70% do efetivo nos horários de pico. Caso a decisão não seja acatada, o sindicato pode sofrer multa de R$ 100 mil por dia.
Em assembleia na Praça Rui Barbosa, no Centro, no período da noite, entretanto, a categoria novamente reprovou a nova proposta das empresas e decidiu pela continuidade da paralisação. Uma nova audiência de conciliação está marcada para hoje.


