São Paulo, 24 (AE) - A greve marcada para terça-feira (26) pelos funcionários da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), de São Paulo, pode voltar a tumultuar as unidades da instituição. "Não tem acordo", disse hoje o presidente da Febem, Guido de Andrade, sobre uma possível negociação com funcionários. A categoria exige a suspensão das dispensas por justa causa e a volta imediata dos demitidos ao trabalho.
A ameaça de paralisação foi uma das razões da rebelião ocorrida ontem (23) no Complexo Imigrantes, na zona sul. Segundo a Assessoria de Imprensa da Febem, cerca de cem internos se amotinaram quando ficaram sabendo, por meio de noticiários de televisão, que a Tropa de Choque da Polícia Militar iria ocupar o local durante a greve.
Na rebelião, oito funcionários e dez menores feriram-se e parte da Ala B, que abrigava 370 internos, foi destruída. A Febem transferiu cem adolescentes para o Complexo do Tatuapé, zona leste. O restante foi remanejado para outras alas na Imigrantes.
O sindicato havia alertado, na quinta-feira (21), para o risco de tentativas de fuga e rebeliões nos complexos Tatuapé e Imigrantes por causa da greve. Quanto às medidas a ser adotadas contra os grevistas, Andrade apenas reafirmou que está "estudando a situação". "Vou tomar a decisão na hora propícia."
Desde o início da administração de Andrade, em setembro, 22 servidores foram demitidos. "São funcionários que têm entre 12 e 15 anos de serviço, sem nem sequer uma advertência na ficha funcional", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor, Antônio Gilberto da Silva.
De acordo com o sindicato, só na semana passada, 20 servidores foram dispensados. Hoje, o clima permaneceu calmo durante todo o dia no Complexo Imigrantes e as visitas ocorreram normalmente. Mesmo assim, parentes e amigos dos internos revelaram tensão com a expectativa de greve. "Acho que a situação vai piorar no dia da greve", afirmou Paula do Nascimento, de 22 anos, que foi ao local ver o namorado.

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