Greve pode parar penitenciárias
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de março de 1998
Anna Camanducaia 
Albari RosaOntem, na assembléia em frente à Prisão Provisória de Curitiba, apenas 50 funcionários compareceramOs funcionários do sistema penitenciário podem entrar em greve em Curitiba, Londrina e Maringá se o governo não aceitar a proposta de correção de 90% sobre o salário-base e aumento de gratificação de 130% para 170%, no caso dos agentes penitenciários. Ontem, os funcionários fizeram assembléia geral, às 18 horas, em frente à Prisão Provisória de Curitiba, mas adiaram a decisão de greve para sexta-feira, devido ao baixo quórum - apenas 50 funcionários compareceram. Nova assembléia está marcada para as 16h30, no mesmo local. Assim, também estamos dando mais um prazo ao governo e mostrando que não queremos fazer bagunça no sistema penitenciário, diz o presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário (Sinssp), Hélio Rodrigues Cação.
Hoje, o salário-base de um agente é de R$ 228,00; o dos funcionários administrativos é de cerca de R$ 250,00 e o do grupo de apoio, de R$ 148,00. Com as gratificações os funcionários chegam a ganhar R$ 840,00, R$ 500,00 e R$ 350,00, respectivamente. O sistema penitenciário do Paraná tem 1.961 funcionários.
Cação afirma que não há reposição salarial para a categoria há 31 meses e que se o governo não aceitar a proposta da classe, os servidores entrarão em greve. Segundo ele, o governo do Estado investiu nos cargos comissionados, no nível superior e no nível técnico, mas não deu atenção ao quadro geral. O vice-diretor secretário geral do Sinssp, Renê de Castro, diz que, em abril do ano passado, quando houve greve dos servidores penitenciários, o então secretário da Casa Civil, Giovani Gionédis, disse que nenhum servidor teria aumento antes dos funcionários do sistema penitenciário. Depois disso, houve aumentos para pessoal de nível superior, a Polícia Militar e Polícia Civil, promoções aos professores estaduais e aumento na aprovação do quadro próprio dos funcionários do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), diz Castro.
O secretário de Estado da Justiça, Eduardo Virmond, diz que o aumento salarial é impossível. Seria preciso aumentar o salário dos 70 mil funcionários do Estado, diz. Estou aguardando tranquilamente pelas reivindicações para poder negociar com os servidores.


