Greve pega e pára tumultua centro de Foz
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sexta-feira, 25 de julho de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaEm FozRuas centrais de Foz tiveram problemas com paralisação alternada: motoristas querem reajusteMotoristas e cobradores de ônibus de Foz do Iguaçu iniciaram ontem a greve pega e pára, uma paralisação alternada, com os veículos circulando normalmente nos horários de pico de movimento e parados durante o restante do dia. O sistema transporta 120 mil pessoas por dia.
Os 192 veículos das quatro empresas que atuam na cidade só circularam entre as 5 horas e as 9 horas, das 11h30 às 14h30 e das 18 horas às 22 horas. No restante do tempo, ficaram estacionados em ruas centrais, o que provocou problemas no trânsito.
Dilto Vitorassi, presidente do Sindicato dos Rodoviários e vereador pelo PT, anunciou que a greve pega e pára deve continuar durante este final de semana. Na segunda-feira, a categoria fará uma assembléia para decidir se continua com o movimento, se volta ao trabalho ou se adota a paralisação total.
A greve é um protesto contra o reajuste salarial de 8,1% concedido à categoria pelos empresários. Motoristas e cobradores exigem que seja cumprido um acordo firmado no início do mês entre a Prefeitura, o Sindicato dos Rodoviários e os empresários do setor. Esse acordo previa reajuste de 16,2% na passagem de ônibus e o repasse do mesmo percentual ao salário dos trabalhadores.
Poucos dias depois do acordo, o prefeito Harry Daijó (PPB) voltou atrás e alegou que só poderia conceder o reajuste por meio de decreto se a Câmara Municipal o autorizasse. O argumento de Daijó foi de que o percentual de 16,2% feria a Lei Orgânica, que proíbe aumento das tarifas públicas em percentuais acima da inflação.
Como os vereadores rejeitaram o projeto de Daijó, o prefeito reduziu a proposta inicial pela metade e concedeu reajuste com base na inflação acumulada desde o último aumento, ocorrido há um ano. Ontem, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que a questão agora deve ser decidida entre patrões e empregados.
Dono da empresa de ônibus Irmãos Rafagnin, o vereador Sérgio Beltrame (PSDB) disse que os empresários do setor não têm mais o que negociar. Pagamos o maior salário do Paraná, com uma das tarifas mais baixas do Estado, afirmou. Com o reajuste em vigor, o salário de motorista passa para R$ 650,00. A passagem passou a custar R$ 0,65.
Segundo Vitorassi, a adesão à greve pega e pára ontem foi de 100% e não houve incidentes. A categoria reúne 1.100 trabalhadores na cidade. Beltrame disse que houve piquetes e que os grevistas quebraram vidros de pelo menos três ônibus e tiraram à força do veículo um motorista que queria trabalhar.


