São Paulo, 07 (AE) - Cerca de 1 milhão de pessoas ficaram sem transporte, hoje, por causa da greve de motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo. A paralisação parcial, que afetou principalmente empresas da zona sul, deve continuar nesta quarta-feira. Os trabalhadores querem receber o salário de novembro e o 13.º, que ainda não foram pagos por 15 empresas de ônibus.
Ontem (06), quando a diretoria do sindicato convocou a greve, a maioria das 53 empresas de transporte coletivo não tinha efetuado o pagamento. De manhã, 21 delas pararam. No fim da tarde, continuavam em débito 6 empresas da zona leste, 4 da zona oeste, 3 da zona sul e 2 da zona norte. Os trabalhadores garantem que a situação só será normalizada quando tiverem o dinheiro no bolso.
Prefeitura - De acordo com o Transurb, o sindicato patronal, a culpa é da Prefeitura. Os empresários argumentam que perderam, para os perueiros, um número expressivo de passageiros nos últimos anos. Em 1995, transportavam 163 milhões de pessoas por mês; hoje, transportam 93 milhões. Eles também acusam a Prefeitura de atrasar pagamentos. Alegam que tiveram de recorrer a empréstimos bancários para pagar os salários.
"Nem sei quando vou receber", disse, desanimado, o motorista Humberto Vagner. Ele era um dos que estavam de braços cruzados em frente a garagem da Viação Campo Belo, na Estrada de Itapecerica, zona sul. Nenhum veículo deixou a garagem pela manhã. A volta dos passageiros para casa, à tarde, foi bem mais tranquila.
A costureira Cleuza Souza Barros, de 33 anos, só ficou sabendo da greve quando chegou ao ponto de ônibus no Terminal João Dias, na zona sul. "Não vai dar tempo", afirmou, referindo-se ao horário habitual de entrada no trabalho, 8 horas. Ela demora em média 40 minutos para chegar ao emprego, perto do Aeroporto de Congonhas. Às 7h30, ela ainda procurava um ônibus ou lotação na rua.
Meia hora mais tarde, o garçom Maurício Soares Barreto, de 22 anos, telefonava para o restaurante em que trabalha, no Itaim-Bibi. Uma conversa comum entre ele e seu chefe em dias de greve. "Ele sempre entende minha dificuldade."
Maior sorte teve Jurandir Estevão, de 38 anos. Microempresário, ele reprogramou seus compromissos. A viagem da zona sul até o centro transformou-se no que ele definiu como uma colcha de retalhos. "Primeiro vou para Santo Amaro e depois vou remendando."
A funcionária pública Ana Maria Nunes Barbosa, de 31 anos, também ficou imaginando como iria contornar a falta dos ônibus. "Fiquei sabendo da greve de manhã, pela televisão."
Largo 13 - Na área próxima ao Largo 13 de Maio, a quantidade de passageiros nos pontos era grande e havia congestionamento de lotações e ônibus. Nada que fugisse à rotina dos dias normais, quando o trânsito ali é normalmente ruim. Na zona leste, os moradores também tiveram problemas para chegar ao trabalho pela manhã. Às 9 horas, tudo estava normal.
O trânsito ficou um pouco mais complicado, mas com índices de lentidão dentro da normalidade para dezembro, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O pico de congestionamentos, de 92 quilômetros, foi registrado às 9 horas, mas diminuiu no fim da manhã. Na terça-feira da semana passada, o pico de congestionamento foi de 78 quilômetros, nesse mesmo horário. Segundo a CET, a piora do trânsito também foi influenciado por outros fatores: maior movimentação nas ruas por causa das compras de Natal, chuva e a remoção de camelôs no centro.

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