Curitiba, 20 (AE) - As três principais montadoras de veículos do Paraná - Volvo, Renault e Audi/Volkswagen - tiveram os setores de produção totalmente paralisados hoje. Metalúrgicos aderiram ao movimento que visa a forçar as montadoras e fabricantes de autopeças a negociarem um contrato coletivo nacional, enquanto outros foram impedidos de entrar nas dependências das fábricas em razão dos piquetes. O clima foi de tranquilidade e os poucos policiais apenas assistiram ao movimento de longe.
Inaugurada em dezembro do ano passado, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, a Renault teve sua primeira greve. As três entradas foram bloqueadas durante a madrugada por sindicalistas, que não permitiram a entrada de nenhum trabalhador do setor de produção e cederam apenas para alguns administrativos. Com a suspensão dos serviços dos 1,7 mil funcionários, a Renault deixou de produzir 120 veículos.
Logo depois da Renault, os líderes do movimento, que tinha à frente o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, Heiguiberto Navarro, e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, foram à Audi/Volks, inaugurada em janeiro, que também enfrentou a primeira greve. Para ajudar na manifestação, dezenas de sindicalistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e interior do Paraná estiveram em Curitiba.
Diante de aproximadamente 2 mil pessoas, incluindo trabalhadores de algumas fornecedoras de autopeças, houve um ato público. "Fico contente que na minha terra tem muito cabra macho para parar isso aqui", discursou Silva, que é de Londrina. O bloqueio foi estendido por todo o dia, não se permitindo que os empregados pudessem entrar na fábrica, que deixou de produzir 200 Golf e Audi A3.
Na Volvo havia menos funcionários participando da segunda greve em seus 21 anos. Tanto Silva quanto Navarro, que pertence à Central Única dos Trabalhadores (CUT), fizeram questão de afirmar que as diferenças ideológicas - "algumas profundas" - continua. "Mas estamos iguais na luta pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores", ressaltou Navarro.
No fim da manhã, em assembléia, os funcionários decidiram que iriam para casa. A Assessoria de Imprensa da Volvo informou que, sem os piquetes, metade dos cerca de 1.300 funcionários entraram na fábrica, mas a direção preferiu suspender a produção de 25 caminhões e oito ônibus. A Chrysler, instalada em Campo Largo, também na região metropolitana de Curitiba, concedeu férias coletivas aos trabalhadores.
Os metalúrgicos de Curitiba devem ter a sexta rodada de negociações no dia 26. Até agora não houve avanço. Enquanto o sindicato pede piso salarial de R$ 800,00, reajuste de 11%, abono de R$ 800,00 e redução da jornada de trabalho para 40 horas, as empresas oferecem reajuste de 4,5% e abono de R$ 600 00. Elas preferem que o piso salarial continue diferenciado. Segundo o presidente do sindicato, hoje a Volvo tem piso de R$ 540,00 e média salarial de R$ 1,2 mil, enquanto a Renault e a Audi/Volks têm piso em torno de R$ 465,00 e média salarial de R$ 1,1 mil.

mockup