Greve paralisa linha de montagem da LG Eletronics
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
Taubaté, SP, 05 (AE) - Uma greve iniciada hoje paralisou totalmente a linha de produção LG Eletronics, em Taubaté. Na primeira greve da empresa em três anos de atividade no Brasil, aproximadamente 95% dos 500 empregados aderiram ao movimento. O Sindicato dos Metalúrgicos local quer a abertura de negociações para o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a permanência de um delegado sindical no interior da fábrica. A empresa se nega a aceitar as propostas e acusa os sindicalistas de agredirem e ameaçarem os empregados que queriam trabalhar. A paralisação é por tempo indeterminado.
A suspensão dos trabalhos na fábrica de monitores e na recém-inaugurada unidade de telefones celulares começou às 6 horas. Segundo o gerente-geral da LG, Reinaldo de Freitas, a entrada dos funcionários do primeiro turno foi impedida pelos manifestantes, que bloquearam o acesso dos ônibus no portão principal. O presidente do sindicato, Antonio Eduardo de Oliveira, disse que as adesões foram espontâneas e revela que a empresa maltrata os trabalhadores e promove jornadas de trabalho excessivas, inclusive nos finais de semana, sob ameaça de demissão. "Essa greve é um capítulo à parte com a LG", comentou.
A empresa de capital coreano se mostra irredutível e disposta a confrontar os representantes da categoria. Segundo Freitas, a LG passa por um momento delicado devido a intensificação da crise econômica e a retração do mercado de informática, o que torna inviável o pagamento da PLR. Além disto
os estoques estão altos e a companhia busca alternativas para superar a fase ruim na exportação. Atualmente, a cadência produtiva da unidade de monitores é de 2 mil peças por dia e a fábrica de celular ainda está em fase de instalação. "Estamos com uma negociação internacional no Mercosul e essa greve vai atrapalhar", afirmou.
Durante quatro meses deste ano, segundo a gerência da multinacional, a unidade brasileira esteve com seus estoques repletos e sem conseguir escoar a produção. A greve é vista como uma atitude oportunista do sindicato, que tenta dar uma demonstração de força antes do início das negociações da data-base, que devem ocorrer em novembro.
A empresa diz que paga os salários em dia, tem um alto grau de satisfação junto aos empregados e inexistem motivos para uma suspensão das atividades neste momento. "A linha está 100% parada e não sabemos quando terminará a greve", reclamou Freitas, ainda sem prever os prejuízos.
Pelo lado do sindicato, as reclamações contra a companhia são muitas. O Ministério do Trabalho já recebeu duas denúncias, encaminhadas pelos sindicalistas, sobre maus tratos, horas-extras excessivas e descumprimento de itens do acordo coletivo. Oliveira afirma que há uma política interna na fábrica opressiva e repleta de abusos. Ele conta ter recebido reclamações de empregados que foram castigados e tiveram que trabalhar em locais insalubres, além de operárias grávidas que foram proibidas de se sentar durante a jornada. "Temos muitos casos de desrespeito aos trabalhadores e o problema é localizado na LG", comentou o dirigente sindical.
A direção da LG negou as irregularidade no tratamento de seus funcionários. O gerente Freitas disse que a fiscalização do ministério esteve algumas vezes na fábrica e nunca fez qualquer autuação. Para ele, esse tipo de acusação é planejada e dirigida para afetar a imagem da companhia e tumultuar o ambiente.
Os sindicalistas devem promover durante toda semana protestos na porta da fábrica. Essa é a primeira greve por participação nos lucros na região de Taubaté. Segundo a entidade
as outras empresas do município já negociaram e aceitaram o acordo proposto pela categoria.
Oliveira desmente qualquer agressão aos funcionários que quiseram entrar nas instalações da LG e duvida que a companhia esteja em dificuldades, tal o volume de horas-extras e cobranças por produtividade. "Essa empresa nunca pagou a PLR e a situação era insuportável", reforçou.


