São José dos Campos (SP), 19 (AE) - Os trabalhadores da fábrica da General Motors de São José dos Campos iniciaram hoje uma greve de 48 horas. A paralisação foi decidida em assembléia e servirá como uma advertência à montadora, que negocia com o sindicato da categoria uma pauta de reivindicações salariais.
As linhas de produção foram paradas já no período da manhã. Segundo os sindicalistas, a adesão é de 100% do operariado e o protesto dura até quinta-feira, quando acontece uma nova rodada de negociação.
A direção do sindicato está convocando outras montadoras para paralisarem também suas atividades por melhorias salariais. Essa é a primeira greve por salários ocorrida na GM do Vale do Paraíba no governo de Fernanco Henrique Cardoso.
Tanto os trabalhadores como os dirigentes da categoria prometem endurecer as relações com a montadora. "Caso não tenham propostas, seguiremos com a greve", observou o presidente do sindicato dos metalúrgicos, Antonio Donizete Ferreira.
A mobilização dos trabalhadores teve início no último dia 8, quando foi declarado o estado de greve. Na semana passada
o primeiro encontro entre as direções do sindicato e da empresa foi inócuo.
A GM pediu uma nova data. Porém, os funcionários da área de produção vinham prometendo uma suspensão das atividades desde o início do mês, quando a companhia concedeu 10% de aumento para o cargo de supervisor de linha de montagem e excluiu o restante dos empregados.
A pauta de reivindicações dos operários pede a reposição dos resíduos das inflações de 1997 e 98, que somam 5%, além do gatilho salarial toda vez que o índice inflacionário 5%, discussão da participação nos lucros e resultados deste ano, pagamento do abono de R$ 251,00, eleição de comissão de fábrica e manutenção das cláusulas sociais do acordo coletivo de 97.
Atualmente, a fábrica de São José dos Campos tem 8,6 mil empregados. A fábrica produz o Corsa, as caminhonetes S-10, caminhões e ônibus da marca GMC, além de câmbios e transmissões para outros modelos. Por hora, são produzidas 46 unidades de Corsa, além de 16 S-10 e caminhões.
Segundo os sindicalistas, a empresa espera uma definição no quadro nacional para abrir as conversações. "Os trabalhadores da GM não vão produzir nada até quinta-feira", comentou Ferreira.

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