Greve pára empresa de ex-presidente da Fiergs
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 3 (AE) - Os funcionários do primeiro turno da DHB Componentes Automotivos, fabricante de direções hidráulicas, paralisaram hoje pela manhã o trabalho em protesto contra a demissão de 90 empregados na sexta-feira. Às 14 horas haverá uma reunião com o presidente da empresa, Luiz Carlos Mandelli, e com o diretor de Recursos Humanos, Carlos Alberto Pereira, quando o Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre pedirá a reintegração dos demitidos. A entidade também vai exigir o cancelamento de um programa de demissões que incluiria mais 150 pessoas, disse o diretor Alfredo Gonçalves.
Mandelli, que é ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), entretanto, descarta a possibilidade de anular as demissões, pois a DHB estaria trabalhando a um terço de sua capacidade em função da crise do setor automobilístico. "Fizemos uma análise criteriosa e demitimos 90 dos nossos 900 funcionários; isto não é o bicho", afirmou. Ele negou que estejam programadas novas demissões, como disse o sindicato, mas admitiu que a empresa "está aguardando para ver como se comportará o setor".
A paralisação foi decidida em assembléia às 6 horas com participação de cerca de 400 empregados, calculou Gonçalves. De acordo com ele, a turma da tarde, que começa a trabalhar às 14 horas, não entrará na fábrica até que haja uma resposta da direção da empresa. O Sindicato denunciou ainda que a DHB está demitindo trabalhadores ao mesmo tempo em que está enquadrada no Fundopem, um programa de incentivos fiscais do governo estadual. Mandelli afirmou, porém, que a companhia recebe benefícios, equivalente a descontos sobre o ICMS "incremental", quando amplia a produção. "Ano passado não recebemos", disse. O empresário criticou a direção do sindicato por "ter feito campanha" contra a aprovação do sistema de banco de horas, o que poderia ter evitado as atuais demissões.


