Greve nos Correios atrasa envio de boletos e faturas
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segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A greve dos funcionários da Empresa Brasileira de Correio e Telégrafos já tem reflexos para os consumidores no Paraná. Entre os usuários que não estão recebendo correspondências, a principal dúvida é quanto ao pagamento de contas e regularização de documentos. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), o índice de adesão ao movimento no Estado é de cerca de 55%, sendo que na grande Curitiba 80% dos funcionários estão parados.
A advogada do Procon-Pr, Elizandra Pareja, orienta os consumidores que não estão recebendo as faturas e boletos pelo Correio a procurar as prestadoras dos serviços. ''O consumidor não pode deixar de pagar qualquer conta, mesmo que ela não chegue antes da data de vencimento. Ele tem que ir atrás da empresa e descobrir como fazer o pagamento.'' Para evitar transtornos, muitas empresas já estão orientando os consumiores.
A empresa de telefonia fixa Brasil Telecom avisou em nota oficial que os clientes que não receberem suas faturas pelo correio podem pagá-las em qualquer casa lotéria, informando apenas o número do telefone. A taxa para o uso deste serviço, que costuma ser de R$ 1,20, vai ser abonada até que a situação se normalize. A GVT afirmou que os clientes que possuem contas que estão para vencer já receberam seus boletos e que até a próxima data de vencimento, no fim do mês, a situação deve estar sob controle, já que os Correios sinalizam a contratação de mão-de-obra temporária se necessário.
As contas de luz também não devem ser afetadas. A assessoria da Copel informou que os Correios garantiram à empresa que o contrato de envio das contas vai ser mantido sem problemas. A Copel entrega 3 milhões de contas no Estado, sendo que 2,5 milhões vão pelo correio.
Entre os documentos, o principal problema está acontecendo com a emissão de passaportes. A delegacia da Polícia Federal em Curitiba, que normalmente emite cerca 120 por dia, está com falta de cadernetas, que não estão sendo enviadas de Brasília por causa da greve. Segundo o delegado Maurício Valeixo, ainda restam poucas cadernetas, que estão sendo usadas para os casos mais urgentes, como pessoas que estão com viagens marcadas para datas próximas. ''Com a paralisação estamos fazendo apenas de cinco a 10 passaportes por dia'', afirma. Segundo a advogada do Procon, quem perder qualquer compromisso importante, como viagem já marcada, ou negócios por causa da greve e puder provar pode entrar com uma ação indenizatória contra os Correios.
Os funcionários dos Correios, depois de baixarem sua reivindicação de reajuste de 69% para 36%, recusaram a proposta dos Correios de 22,87% de aumento oferecida na sexta-feira. ''Vamos continuar parados até vir uma proposta mais interessante'', afirmou o diretor do Sintcom em Curitiba, José Figueiredo de Oliveira.


