Curitiba - O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) informou que a categoria entrará em greve a partir da zero hora da próxima segunda-feira. A decisão foi anunciada após uma assembleia realizada ontem porque, segundo a entidade, o prazo para o depósito do pagamento dos 40% do vale venceu com o fim do expediente bancário desta sexta-feira. "A greve será geral. Sem ônibus na segunda-feira", resumiu Anderson Teixeira, presidente do Sindimoc.
Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que o vale não foi pago ainda porque o Governo do Estado, desde outubro do ano passado, não faz o repasse do subsídio referente ao transporte metropolitano, totalizando uma dívida de R$ 16,5 milhões, sem contar janeiro de 2015. Além disso, a administração municipal ressaltou que o governo estadual não apresentou nenhuma proposta de pagamento desta dívida e ainda quer reduzir o subsídio metropolitano de R$ 7,5 milhões para R$ 2,3 milhões/mês. A prefeitura ainda afirmou que "já entrou com pedido para que a Justiça determine a circulação de frota mínima em caso de greve: 70% da frota nos horários de pico e 50% no restante do dia".
Em nota, o Governo do Estado apontou que uma pesquisa de origem e destino de passageiros da Rede Integrada de Transporte (RIT), feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP), mostrou uma diferença no número de passageiros da Região Metropolitana de Curitiba em relação aos dados apresentados pela Urbanização de Curitiba (Urbs), que basearam o convênio encerrado no final de 2014.
"Enquanto a Urbs estima que o número de passageiros oriundos da Região Metropolitana representa 21,7% do total de usuários da RIT, a pesquisa da Fipe constatou que esse número chega, na verdade, a 31,2%, ou seja, é cerca de 50% maior do que a Urbs alega. Além disso, a própria planilha da Urbs demonstra que a RIT tem um custo operacional 15% menor nas linhas metropolitanas, em comparação com as linhas urbanas de Curitiba", alegou o governo.
A administração estadual argumentou que essa diferença configura "evidente evasão de recursos da Região Metropolitana para o caixa da Urbs, o que configura apropriação indébita de receita". O governo apontou ainda que isenta o ICMS sobre o óleo diesel utilizado na RIT e que em 2014 repassou R$ 65 milhões em subsídio direto para a Urbs. "Enquanto o Estado desonerou o ICMS sobre o óleo diesel, a Urbs continua cobrando 4% de taxa de administração e a Prefeitura de Curitiba, 2% de ISS sobre a tarifa técnica", destacou o governo, que concluiu a nota afirmando que cogita recorrer à Justiça.

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