Greve nas federais completa 1 mês
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quarta-feira, 29 de abril de 1998
Agência Folha 
Arquivo FolhaPaulo Renato ameaça descontarA greve dos professores das instituições federais de ensino superior completa hoje um mês em um impasse e sob ameaça de corte dos salários por parte do ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Até ontem, não haviam sido abertas as negociações. O Ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse ontem que, se o movimento persistir e se expandir, o governo vai descontar dos salários os dias parados.
Hoje, a Andes, sindicato que representa os professores, protocola um pedido de audiência com o ministro. É uma tentativa de abrir as conversas , diz Lafaiete Neves, diretor de imprensa da Andes. Os professores querem reajuste salarial de 48,65%, suspensão do Plano de Incentivo à Docência (PID) - programa que prevê a concessão de bolsas visando estimular a atuação de docentes na graduação -, não redução dos quadros funcionais, ampliação das vagas e abertura de concurso. O MEC afirma estar aberto a negociar todos os pontos, exceto salário. O argumento é o de que não pode conceder aumento salarial porque cabe à área econômica do governo definir rejustes de servidores públicos, categoria na qual os professores se enquadram.
Balanço divulgado anteontem pelo MEC aponta que 42 das 52 instituições estavam total ou parcialmente paralisadas. A Andes, sindicato que representa os docentes, avalia que 51 das 52 instituições aderiram ao movimento. Embora a greve atinja a maioria das instituições, não há balanços oficiais sobre quantos professores estão efetivamente parados.
Após uma cerimônia, ontem no Palácio dos Bandeirantes (sede do governo paulista), o ministro Paulo Renato voltou a afirmar em entrevista que não pretende dar qualquer reajuste salarial ao conjunto da categoria (professores, funcionários e aposentados das universidades). Também insistiu que o PID é a solução do ministério para o problema salarial imediato dos docentes.
Mas a solução do problema salarial - eu venho insistindo nesse ponto desde o início do governo - está na autonomia universitária plena, que dê condições a cada universidade de fazer a sua carreira de pessoal , afirmou.


