Greve na UEL tem adesão de 60%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Londrina - A paralisação dos servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que começou ontem, provocou transtornos na instituição. O bloqueio parcial da PR-445 e da Avenida Castelo Branco causou congestionamento nas vias de acesso. Estudantes e professores chegaram a esperar cerca de uma hora para conseguir entrar no campus.
''Por causa da lentidão, alguns alunos desceram do ônibus e subiram a pé. Eu vim de carro, mas demorei cinquenta minutos'', comentou Tais Guedes, aluna do segundo ano de Geografia.
Taís participou ontem de manhã da primeira assembleia do movimento grevista, em frente ao Restaurante Universitário, com a adesão de mais de 2 mil funcionários, representando 60% do total de 3,6 mil servidores técnico-administrativos.
''Estamos sem aula porque a professora ainda não chegou. Sei que essa paralisação vai afetar a universidade em todos os serviços, mas eu apoio a reivindicação deles (funcionários)'', declarou a universitária.
Por conta da greve, o RU permanece fechado por tempo indeterminado. Os serviços de limpeza, biblioteca, entre outros, deverão ser prejudicados, assim como os atendimentos no Hospital Veterinário (HV), Ambulatório do Hospital de Clínicas (AHC) e Hospital Universitário (HU).
Em nota, a assessoria do HU comunicou que está realizando apenas serviços de urgência e emergência e orienta os usuários a procurar outro serviço para obter atendimento de rotina.
No HV, para os animais que se encontram internados e para casos urgentes, o atendimento está mantido. No HC, segue funcionando normalmente os setores de vacinas, oncologia, colostomia e atendimento aos portadores de HIV. A Divisão de Segurança Patrimonial da Prefeitura do Campus (PCU) mantém as atividades, mas os serviços administrativos passam a funcionar com número reduzido de servidores.
A categoria, segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Técnico-Administrativos da UEL (Assuel), Marcelo Seabra, reivindica um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) depois que dois artigos que se referem à promoção e progressão das carrreiras foram julgados inconstitucionais pelo Tribunal de Justiça. ''É preciso ser feito um novo PCCS. Além disso, a tabela salarial que foi apresentada pelo governo com o compromisso de aplicá-la no próximo mês não será cumprida'', ressaltou.
Após a assembleia em frente ao RU, os servidores em greve realizaram uma passeata pelo campus para ganhar a adesão dos demais funcionários.
A técnica em assuntos universitários da UEL, Viviane Magda, diz que ''somente em greve, a categoria consegue reunir forças para negociar com o governo'' e defende que ''a contribuição de todos os servidores é essencial''.
De acordo com uma publicação da administração da UEL, caso o movimento grevista continue na semana que vem, será realizada uma nova reunião com o comando de greve para avaliar o funcionamento das atividades essenciais, considerando que os docentes e estudantes não se encontram em greve. O processo de inscrição para o vestibular 2012, que se encerra amanhã, não deve ser comprometido pela paralisação.
A Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) informou, por meio de nota, que estranha a convocação de greve porque foi fechado acordo para que a minuta da lei sobre o Plano de Cargos e Salários fosse enviada à Assembleia até o final de setembro, e sua aplicação se daria no início do próximo ano.


