Greve na saúde prejudica três mil pessoas por dia
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 21 (AE) - A greve dos servidores municipais de Campinas (SP) que atuam na rede de saúde, iniciada quarta-feira, está prejudicando cerca de três mil pessoas que procuram os hospitais e postos de saúde todos os dias para atendimento médico. A paralisação sobrecarregou principalmente o hospital Celso Pierro, onde os pacientes chegavam a esperar hoje até sete horas na fila. Os grevistas reivindicam o pagamento do adicional por insalubridade e periculosidade.
No hospital municipal Mário Gatti, 70% dos 1,2 mil funcionários aderiram ao movimento, segundo a assessoria da unidade. Apenas os casos de urgência e emergência foram atendidos. No pronto socorro para adultos, que em dias normais registra cerca de 450 consultas, foram realizadas hoje apenas 49. No pronto socorro infantil, apenas sete pacientes receberam atendimento, enquanto a média diária chega a 350.
A prefeitura não divulgou dados sobre a paralisação nas outras unidades. O Sindicato dos Funcionários Publicos Municipais informou, porém, que dos 44 postos de saúde, 18 estavam parados. Nos hospitais Ouro Verde e São José, apenas 30% dos funcionários trabalharam, para garantir o atendimento aos casos de urgência e emergência.
Com a rede municipal paralisada, o hospital Celso Pierro, administrado pela Pontifícia Universidade católica de Campinas (Unicamp) registrou um aumento de 90% na demanda. Pela manhã, já não havia mais leitos livres no ambulatório do pronto-socorro. Os 310 leitos destinados a pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também estavam ocupados. Muitos pacientes passaram a madrugada a espera de atendimento.
Os grevistas pretendiam realizar uma nova assembléia no final da tarde para decidir os rumos do movimento. Eles querem o pagamento do adicional de insalubridade e periculosidade, determinados por uma liminar judicial. A justiça determinou o pagamento no início do mês, depois que a prefeitura encaminhou um projeto de lei cortando os benefícios.


