Curitiba- Noventa por cento dos agentes da Polícia Federal (PF) de todo o País aderiram à greve iniciada ontem. O balanço é do presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Francisco Carlos Garisto. Segundo ele, apenas os agentes de Minas Gerais adiaram o início da paralisação para amanhã por causa da morte de um colega de trabalho. Pela estimativa da Fenapef, aproximadamente 7,2 mil policiais aderiram ao movimento. A maior adesão é em Curitiba, onde estão lotados 160 policiais.
O presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, Naziazeno Florentino Santos Júnior, disse que apenas delegados e peritos cerca de 150 profissionais teriam mantido suas atividades porque já recebem o salário de nível superior, principal reivindicação da categoria.
De acordo com Garisto, o vencimento básico dos agentes, escrivães e papiloscopistas, ainda é baseado no nível médio, apesar da Lei 9.266 de 1996 ter estabelecido a exigência de nível superior para ingresso em todos os cargos da carreira policial federal. Os policiais federais reivindicam que o salário inicial passe de R$ 325 para R$ R$ 554. Somado às gratificações ficaria entre R$ 4,8 mil e R$ 5,8 mil, que, segundo ele, é a faixa salarial das outras categorias de servidores federais de nível superior.
Garisto afirmou que, com a greve, todas as investigações e forças-tarefa importantes ficam suspensas. Dentre as quais, a do caso Waldomiro Diniz, que investiga a ligação de bingos com o crime organizado. Ele suspeita de um possível interesse do governo em esfriar essas investigações e afirma que ''o governo federal pode acabar dando um tiro no pé'', já que isso pode servir de argumento para a oposição na Câmara Federal exigir a instalação da CPI dos Bingos.
Florentino informou que os policiais da força-tarefa das contas CC-5, que estão em Curitiba, encaminharam, ontem, um relatório para a chefia comunicando a suspensão nas investigações e pedindo passagens para voltar aos seus estados de origem.
A greve dos agentes da PF no Paraná afetou principalmente os trabalhos de investigação e o controle de estrangeiros nos aeroportos. A emissão de passaportes está sendo feita para casos de emergência ou para quem vai viajar nas próximas 48 horas. Em Curitiba, são emitidos entre 80 e 100 passaportes, diariamento. Por enquanto, a situação na fronteira do Brasil e Paraguai está tranquuila. Dos 70 policiais que trabalham em Foz do Iguaçu, 55 aderiram ao movimento, mas o comando de greve informou que está organizando uma operação padrão na Ponte da Amizade.(Com Agência Brasil)

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