Curitiba- A greve dos eletricistas e técnicos da Companhia Paranaense de Energia (Copel) começa a afetar diretamente a população. Entre as 18h30 de terça-feira e as 2 horas da madrugada de ontem 85 mil residências, o que equivale a cerca de 340 mil pessoas ficaram sem energia elétrica em nove bairros de Curitiba. Este problema ocorreu porque, segundo a Copel, foram realizados 37 desligamentos em chaves da rede elétrica de distribuição, o que a estatal classificou de atos ''criminosos e de vandalismo''.
A empresa registrou boletim de ocorrência na polícia. A estatal informou que o os desligamentos expuseram a graves riscos de acidentes todos os eletricistas que permanecem trabalhando. A Copel constatou que equipamentos protegidos e de difícil manipulação, foram operados de forma criminosa por pessoas com muito conhecimento sobre a operação do sistema, desligando consumidores de propósito.
Em um primeiro momento, o centro de operações da Copel não conseguia identificar o que estava acontecendo. O call center da companhia que recebe reclamações ficou congestionado. Os desligamentos foram resolvidos cerca de uma hora e meia depois de identificados. Geralmente, a empresa tem duas equipes de eletricistas que trabalham durante a madrugada. Para atender a demanda, foram disponibilizadas dez equipes.
Ontem, a Copel anunciou que suspendeu as negociações até que a greve seja encerrada. Isso porque a redução do número de técnicos e eletricistas para fazer reparos deixa o sistema elétrico vulnerável além do desejado. Na terça-feira, foi realizada uma reunião de negociação que durou quase 6 horas entre dirigentes da estatal e sindicalistas. Ontem, ocorreu uma nova reunião, mas sem acordo.
A greve já atinge as regiões de Curitiba, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel e Cornélio Procópio. Segundo a Copel, cerca de um terço dos 4.500 técnicos e eletricistas aderiam à greve.
O presidente do Sindicato dos Eletricitários de Curitiba (Sindenel), Vilmar Alves, informou que a greve será mantida por tempo indeterminado. Os funcionários reclamam que estão recebendo menos pela ''dupla função'', um benefício pago pela empresa há mais de 20 anos. Os técnicos eletricistas recebem um adicional por dirigir os veículos da empresa enquanto atendem as ocorrências. Segundo ele, os eletricistas tiveram uma redução de até 60% no salário com as mudanças no pagamento da ''dupla função''. Ele negou que os eletricistas tenham desligado as chaves da rede elétrica.

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