Greve na Anvisa prejudica atendimento hospitalar
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terça-feira, 18 de abril de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de US$ 700 milhões em importações de medicamentos e produtos médico-hospitalares ficaram bloqueados no exterior ou nos portos e aeroportos do País, nos quase 60 dias da greve dos fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O levantamento é da Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed) e da indústria farmacêutica, que depende de insumos importados para fabricação de uma série de produtos.
De acordo com o secretário-executivo da Abimed, Cláudio Marques, somente 22 associados tiveram 800 embarques bloqueados no exterior e estão com 1,1 mil licenças de importação aguardando aprovação da Anvisa. Segundo ele, isso afeta, diretamente, perto de 2 mil clientes, entre hospitais, clínicas e laboratórios. A Abimed não recebeu, até o momento, qualquer queixa de importadores do Paraná, onde a greve não teve adesão.
Um dos exemplos dos prejuízos enfrentados e que já afetam pacientes, citou Marques, é a falta de reagentes para preparação de sangue usado em transfusões. Os serviços de hemodiálise também estariam comprometidos em algumas clínicas. Os três maiores laboratórios de São Paulo, informou, estariam deixando de realizar 11 mil exames clínicos por mês.
O alerta sobre os transtornos causados pela greve dos fiscais da Anvisa partiu, também, da Associação Nacional de Hospitais Privados
(Anahp). O vice-presidente da entidade, Adriano Londres, destacou que uma das preocupações é com o suprimento de insumos para alimentação enteral, pois os fornecedores teriam estoque somente para mais 20 dias. Mesmo que a greve acabasse hoje, seriam necessários outros 60 dias para regularizar o fornecimento, já que existe uma demanda reprimida de importa-ções, afirmou.
O presidente da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), Francisco Schiavon, informou que até o momento não houve registro de prejuízos aos estabelecimentos do Estado. Ele acredita que a greve não tenha reflexos negativos ao Paraná, pois a maioria dos hospitais trabalha com grandes estoques de produtos e medicamentos.
O coordenador do Departamento de Vigilância Sanitária da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência e Assistência Social (Fenasps), Luiz Carlos Torres de Castilho, não descarta a possibilidade de paralisação entre os fiscais paranaenses, que já estariam se mobilizando para isso. Ele ressaltou, no entanto, que foi firmado um compromisso de priorizar a liberação de produtos importados imprescindíveis. Seis itens fazem parte dessa lista, entre eles, materiais para diagnóstico in vitro, medicamentos para programas da rede pública de saúde, remédios controlados, biológicos, preservativos
e hemoderivados.


