São Paulo, 28 (AE) - A greve dos caminhoneiros levou a Sadia, a maior indústria do setor de alimentação do País, a interromper suas operações em mais quatro unidades hoje. Ontem, três unidades já haviam sido paralisadas. O diretor financeiro da empresa, Luiz Gonzaga Murat, informou que há quatro abatedouros de frangos e suínos paralisados em Ponta Grossa e Cascavel, no Paraná, em Várzea Grande (MS) e em Chapecó (SC). Há ainda três fábricas de industrializados sem operar em Paranaguá e Ponta Grossa, no Paraná, e em Chapecó. As unidades de abate de Concórdia e Toledo estão trabalhando com 50% de sua capacidade, segundo ele.
De acordo com o diretor-financeiro da Sadia, se a greve dos caminhoneiros persistir amanhã, a empresa terá de paralisar todas as suas fábricas na sexta-feira. Murat afirmou que as sete unidades tiveram de ser fechadas por diferentes motivos. Em alguns casos, o recebimento de embalagens foi interrompido ou não há caminhões para retirar os produtos das fábricas, uma vez que muitos deles ficaram retidos nos bloqueios nas estradas. Além disso, as câmaras frias, para armazenamento de produtos, estão cheias, e não há mais onde estocar produto. Murat disse ainda que há dificuldade no tranporte de rações animais para as granjas, pois o insumo não é considerado "produto prioritário".
Produção cai à metade - De acordo com Luiz Murat, com as sete unidades fechadas, a produção de alimentos da Sadia, que é de 1 milhão de toneladas por ano, registra queda de 50%. "A Sadia produz diariamente o necessário para fornecer 20 milhões de refeições de 200 gramas cada. Com a greve, estamos deixando de fornecer 10 milhões de refeições", afirmou.
Segundo Murat, o faturamento anual da Sadia é de R$ 2,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 10 milhões por dia. A empresa abate 1,2 milhão de aves diariamente e 12 mil suínos/dia em todas as suas unidades. Murat considera difícil calcular os prejuízos da empresa neste momento, mas acredita que a greve pode levar à falta de produtos para abastecimento da população, já que as entregas para o varejo estão sendo afetadas. Ele disse ainda que a paralisação dos caminhoneiros está afetando também as exportações de carne de frango, de suínos e produtos industrializados da empresa. "As operações em Paranaguá estão muito prejudicadas e há caminhões parados nos bloqueios nas estradas", afirmou.
Ainda em relação às exportações, Murat disse que os produtos destinados às vendas externas seguem determinadas exigências, como tamanho para o abate, no caso do frango por exemplo. Dessa forma, como o abate foi interrompido nas quatro unidades, o frango destinado à exportação já estaria com peso acima do exigido, afirmou. Na avaliação do diretor financeiro da Sadia, a paralisação dos caminhoneiros pode levar a dificuldades no suprimento no segundo semestre, um período em que sazonalmente a demanda por produtos como frango e suínos é maior.

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