Greve interrompe atendimento na Santa Casa de Itapetininga
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Itapetininga, SP, 09 (AE) - Cerca de 200 dos 350 funcionários da Santa Casa de Itapetininga, a 170 quilômetros de São Paulo, entraram em greve ontem (08) em protesto pelo atraso no pagamento. Eles estão sem receber os salários de outubro e parte de setembro. Hoje à tarde apenas os casos de urgência estavam sendo atendidos. A administração do hospital, fundado no fim do século passado, informa que há um déficit mensal entre R$ 80 mil e R$ 100 mil e uma dívida de quase R$ 2 milhões.
Nota distribuída pela provedoria informa que a situação financeira é "calamitosa" e que o atendimento está próximo do colapso total. "Do jeito que as coisas estão não dá mais para continuar", diz o provedor Antoninho Lera. O hospital, com 170 leitos, é o único da cidade e, além dos 120 mil moradores locais
recebe pacientes de outros seis municípios da região, fazendo 13,5 mil atendimentos por mês.
De acordo com o provedor, 70% dos atendimentos são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas o pagamento por esses serviços não cobre nem a metade dos custos. A prefeitura de Itapetininga paga os salários dos médicos do Pronto-Socorro, mas não banca os demais custos da unidade. Dos outros municípios
apenas a prefeitura de Alambari repassa verbas ao hospital.
O aumento na procura pelos serviços vem agravando o déficit, pois as fontes de recursos são as mesmas. O hospital só conseguiu se manter e investir em sua estrutura - está construindo nova maternidade - graças à ajuda da comunidade, segundo o provedor. Pessoas anônimas fazem doações em dinheiro e empresas doam materiais.
No documento, assinado por outros três integrantes da diretoria e encaminhado às autoridades e à imprensa, o provedor alerta que a Santa Casa não pode mais garantir a qualidade mínima de atendimento. "Isso significa que os pacientes poderão ter seu atendimento médico prejudicado por falta de equipamentos e remédios, devido à absoluta falta de condições financeiras." A diretoria recomenda aos médicos que advirtam seus pacientes para as condições precárias em que se encontra o hospital, sem medicamentos e materiais suficientes. Em apelo à comunidade, pede sugestões e colaboração para ampliar a receita e solucionar os problemas financeiros do hospital.


