Curitiba- A direção estadual dos Correios estima que aproximadamente 900 mil correspondências deixaram de ser entregues, em todo o Paraná, nos três dias de paralisação de parte do efetivo de trabalhadores. Diariamente, circulam no Estado perto de 1,5 milhão de correspondências.
Ontem, a empresa obteve uma liminar junto à Justiça do Trabalho para assegurar o direito de circulação dos veículos e acesso de funcionários e clientes nas agências de Curitiba e de sete municípios da região metropolitana Pinhais, Piraquara, Quatro Barras, Campina Grande do Sul, Bocaiúva do Sul, Adrianópolis e Tunas do Paraná.
De acordo com o coordenador de comunicação dos Correios no Paraná, Paulo de Araújo, amparada na decisão judicial, a direção pretendia determinar, ainda ontem, o retorno dos trabalhos de tratamento e separação das cartas e encomendas na sede estadual da empresa, no centro de Curitiba. Essas operações, desde o início da greve, na última quarta-feira, estavam sendo feitas no quartel do Exército, no bairro Boqueirão.
Araújo informou que todas as encomendas e correspondências, via Sedex (exceto os serviços especiais Sedex 10, Hoje e Mundi), bem como malotes de empresas estão sendo entregues. Cerca de metade das cartas e outras correspondências não urgentes estão ficando para trás para serem entregues com o retorno normal das atividades. Das 470 agências do Estado, três estavam fechadas, ontem: em Londrina, Guarapuava e Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Além do possível atraso na entrega de correspondências, os Correios admitem demora na atualização das informações no site para rastreamento das encomendas serviço que é oferecido nas entregas do Sedex Mundi, por exemplo.
O Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), também, venceu uma das batalhas judiciais. Uma liminar obtida junto 15 Vara do Trabalho de Curitiba, segundo o secretário-geral do Sintcom-PR, Nilson Rodrigues, proíbe que os Correios contratem novos funcionários temporários. A intenção do sindicato é pleitear na Justiça a ampliação da liminar para invalidar a contratação, já realizada, de 280 terceirizados, que estão substituindo os grevistas.
Rodrigues informou que a assessoria jurídica do Sintcom-PR ingressaria, ainda ontem, com outra medida judicial para tentar derrubar a liminar obtida pelos Correios para trânsito livre dos caminhões de entrega. Outra providência, adiantou, seria uma denúncia formal junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) contra o uso de força policial nos locais de piquete. Na madrugada de ontem, segundo o sindicalista, três viaturas da Polícia Federal (PF) teriam avançado sobre os trabalhadores que estão acampados em frente à sede estadual da empresa. Na manhã de ontem, os trabalhadores em greve fizeram várias manifestações, inclusive, um abraço simbólico em torno da sede estadual.
A Folha procurou a assessoria de imprensa da PF, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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