Lima, 28 (AE-AP) - A capital peruana amanheceu hoje (28) praticamente deserta em decorrência da greve nacional no setor de transporte de passageiros. Escolas e lojas fecharam e os hospitais atenderam só casos de emergência. O protesto é contra a política econômica do governo e a possibilidade de o presidente Alberto Fujimori ser candidato à reeleição.
Essa é a primeira demonstração de força importante da população contra os quase nove anos de silêncio impostos pelo governo. Foi convocada pela poderosa Central Geral dos Trabalhadores do Peru (CFTP) e recebeu apoio de estudantes, professores e outros profissionais.
Para conter as manifestações organizadas pela central sindical e as tentativas de saques, o governo pôs 20 mil policiais nas ruas de Lima e das principais cidades do país. Grupos de trabalhadores bloquearam as principais avenidas que ligam os distritos da periferia ao centro da capital com pedras e pneus em chamas.
A Plaza Mayor, no centro de Lima, transformou-se em um cenário de enfrentamento, com mais de 2.000 pessoas confrontando-se com as forças antimotim. Mais de 25 pessoas foram detidas na capital peruana. Em Iquitos, Arequipa e Cuzco, entre outras cidades do interior, os protestos foram engrossados pela população, que reclama do excesso de centralismo do governo e rejeita o acordo sobre a fronteira com o Equador. Em diversos pontos do país, as manifestações e passeatas foram contidas por helicópteros e gás lacrimogêneo.
O secretário da CFTP, Juan José Gorriti, explicou que a greve de 24 horas foi convocada por causa do agravamento da crise econômica. Segundo ele, desde o ano passado o Peru enfrenta dificuldades em decorrência do fenômeno climático El Niño e da escassez de crédito para as empresas, resultado da interrupção do fluxo de capital externo para os países emergentes.
"Mais de 50% da população economicamente ativa está no setor informal, enquanto os índices de desemprego estão em 7,6%, conforme estatísticas oficiais", argumentou o sindicalista.
A política do presidente Fujimori, explicam analistas locais, é popular entre investidores estrangeiros e organismos internacionais, mas nos últimos anos vem perdendo popularidade por não conseguir melhorar o nível de vida da população.
Desde que chegou ao poder, em 1990, Fujimori conseguiu debelar a inflação e aumentar de forma expressiva o Produto Interno Bruto (PIB) do Peru. Mesmo assim, mais de 25% da população vive na mais absoluta miséria, pois só 8% dos trabalhadores têm emprego de tempo integral. Os empregos são escassos e os salários, extremamente baixos.
A paralisação, que havia sido declarada ilegal pelo governo, contou também com o apoio de Alberto Andrade, prefeito de Lima e principal candidato de oposição à sucessão de Fujimori.

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